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Distribuição de renda virá da pesca em Alagoas

Pescadores artesanais terão acesso a crédito para expandir atividade, nos moldes do setor agrícolaNunca o ditado popular “não dar o peixe, mas ensinar a pescar” foi tão difundido em Alagoas. A concretização desse adágio tem sido potencializada graças ao incentivo do governo federal, recentemente, e ao próprio Governo do Estado – com o programa Alagoas Mais Peixe. Ele tem mostrado que é possível transformar os ricos mananciais e fontes de águas espalhados por todos os quadrantes do Estado em potência pesqueira.

O assunto chega em momento propício. Isso porque acaba de entrar na ordem do dia no País a política voltada para a pesca e aquicultura. A presidente Dilma Roussef anunciou no dia 25 de outubro investimentos no setor com o chamado “Plano Safra da Pesca e Aquicultura”, em lançamento ocorrido em Brasília.

De acordo com a presidente – com uma costa de oito mil quilômetros e uma das maiores reservas de água doce do planeta –, o Plano Safra da Pesca vislumbra tornar o Brasil uma potência da pesca mundial. Os investimentos previstos são de R$ 4,1 bilhões para expandir a aquicultura, tirar o País da condição de importador e torná-lo um dos maiores exportadores no setor, além de incentivar o consumo no mercado interno.

A repercussão em Alagoas foi imediata. O secretário de Estado da Pesca e Aquicultura, Régis Cavalcante, esteve no lançamento do Plano Safra e diz que a política do governo federal se adequa ao que o governo de Alagoas  vislumbrou quando criou a secretaria, em 2011.

“A aquicultura e a pesca têm tudo para deslanchar em nosso Estado. Temos um manancial e um celeiro inesgotável de águas de mar e rio maravilhoso. O plano vai beneficiar 37 mil pescadores artesanais em Alagoas, que encontraram na pesca uma alternativa econômica viável e têm a possibilidade de sair da estatística da extrema pobreza”, destacou o secretário.

Segundo dados fornecidos pela secretaria, Alagoas possui cerca de 200 quilômetros de litoral prontos para serem aproveitados para essa política, isso sem incluir regiões do Sertão atendidas pelo Canal do Sertão, por exemplo.

No Plano Safra, as associações e cooperativas de aquicultura e pesca dos pequenos trabalhadores existentes no Estado terão as mesmas condições de crédito que os trabalhadores da agricultura já possuem para desenvolver a atividade e gerar emprego e renda

Por conta de políticas públicas voltadas à pesca e à aquicultura em todas as regiões de Alagoas, o que não tem faltado é gente simples vocacionada a investir na área e gerar mais renda. É o que acontece na comunidade de Palmeira Alta, em Pindorama, no município de Coruripe, e em Boca da Mata, a 72 quilômetros da capital alagoana.

Em Coruripe, a boa notícia é que, formada há pouco mais de um ano, a Associação dos Piscicultores da Comunidade de Palmeira Alta vislumbrou no setor um futuro promissor.

Composta de cinco mulheres e um homem, a associação tem como principal fonte de renda a cultura da tilápia. Com produção média de 1.500 quilos de tilápia por mês, a base da produção funciona na Barragem do Piauí, manancial que atinge sete metros de profundidade, onde estão dispostos 64 tanques-rede doados pelo governo com todo aparato necessário ao desenvolvimento do negócio.

Uma das empreendedoras do grupo é Jailma dos Santos Vasconcelos. “Posso dizer realmente que agora sou uma ex-técnica de enfermagem dedicada à piscicultura, porque tem tudo para dar certo, como já está dando”, afirma Jaílma.

Na associação, a Lei de Antoine Lavoisier é levada à risca: “Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Isso porque, com os derivados da tilápia, como o aproveitamento do couro, serão produzidos ainda o filé, cintos, bolsas, bolinhos, polpas que ofertam a ela e ao resto do grupo a garantia de mais uma renda extra que não deixa nada a desejar a determinados empregos por aí afora.

Motivada com a produção na associação, a ex-enfermeira se entusiasma ao mostrar à equipe da Tribuna Independente o tonel onde acondiciona os couros da tilápia para transformar nos derivados milagrosos que gerarão mais uma renda ao grupo. “O couro fica acondicionado cinco dias com cinzas de fogueira e cal”, explica Jaílma ao se referir ao segredo do sucesso.

Com a venda do pescado, a renda média dos integrantes da associação pode chegar a quase a R$ 1 mil, sem falar no aproveitamento do couro da tilápia e os derivados que geram outros ganhos”, admite Jailma dos Santos Vasconcelos, membro da Associação dos Piscicultores da Comunidade de Palmeira Alta.

Na associação, Jailma divide com o marido e os outros associados a crença na piscicultura como sobrevivência. “Nosso próximo passo é investir na montagem de um restaurante, se Deus quiser”, diz.

MÉTODO

O pescado da comunidade de Palmeira Alta chega à feira livre de Coruripe ao preço médio de R$ 7 o quilo. Na barragem do Piauí, os trabalhadores da associação se revezam alimentando as tilápias com ração para cerca de cinco mil alevinos, cinco vezes ao dia, passando pela fase juvenil até chegar à fase de engorda, em que chegam a pesar em média 300 gramas até ir ao ponto de venda na feira livre.

Para melhorar o ganho das famílias, recentemente, a associação fechou parceria com a Cooperativa Pindorama para comercializar os produtos.

A Associação Palmeira Alta é uma das integrantes do chamado APL da Piscicultura, também integrante do Alagoas Mais Peixe e que tem como parceiros, além do Governo do Estado, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), o Sebrae, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

http://www.tribunahoje.com


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