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Moradores de Boa Esperança burlam a lei e praticam pesca predatória

As cidades banhadas pelo Lago de Furnas têm enfrentado uma das piores secas desde o ano 2000, mas em Boa Esperança (MG) isto provocou um contraste. De um lado, há água em abundância. Do outro, chão ressecado, tão ressecado, que lembra até uma paisagem de deserto. Em consequência, a região enfrenta problemas que vão desde grandes prejuízos a produtores de peixes pela escassez de água, até pescadores que resolvem burlar a lei e pescar mais do que deviam.

O Lago dos Encantos é o cartão postal de Boa Esperança, com aproximadamente oito quilômetros quadrados de superfície. Imponente e grandioso, ele dá um charme especial à cidade que tem pouco mais de 38 mil habitantes.

E é da beleza do lago, que pertence à Bacia de Furnas, que vivem muitos comerciantes. Ao longo da orla, pescadores dividem espaço com varas e molinetes, mas nesta época de piracema é permitida a pesca apenas de tilápias e tucunarés. Apesar disso, alguns pescadores não respeitam a lei. Seu João Donizete, que estava pescando no lago, disse não saber da proibição. “É só pra passar a hora mesmo, não pega nada não”, justifica o lavrador.

A Polícia Militar do Meio Ambiente faz a fiscalização, mas nesta época de seca, há dificuldade para chegar a alguns locais. “Tem muita lama, tem o barro. Então a gente tem que procurar um local onde tenha um terreno mais firme para colocar a embarcação. Isso dificulta um pouco a fiscalização”, explica o sargento da Polícia Militar do Meio Ambiente, Júlio Flávio Tavares Leite.

A proibição vai até o dia 28 de fevereiro do ano que vem. Neste período, quem for flagrado praticando pesca predatória, pode pegar de um a três anos de reclusão e ainda pagar multa.

Mas se de um lado do lago o problema é a fiscalização à pesca predatória, do lado de baixo do dique que represa a água, a questão é a seca. A situação é impressionante. Onde antes havia água em abundância, o solo seco e rachado transforma a paisagem num imenso deserto. Apenas o leito do Rio Marimbondo resiste, onde é possível observar alguns animais que chegam a percorrer longos trechos à procura de alimento.

Segundo o Presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica de Furnas, Fausto Costa, a represa está com 38% do volume útil. Em alguns locais, o nível do lago está 12 metros abaixo do normal.

Seu Ronaldo de Souza Calais, que é criador de peixe, sentiu o problema na pele. Ele perdeu os 10 tanques de peixe que criava na represa. Com a morte de seis mil alevinos, viu sua renda cair pela metade. “A gente vê só barro, lama, o gado pastando. A gente fica muito triste, a gente nem sabe o que vai representar isso no futuro”, lamenta Calais.

Esta é a segunda pior seca dos últimos 20 anos. A primeira foi em 2000, quando o volume chegou a 11% do total.

http://g1.globo.com


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