Últimas Notícias

Recifes artificiais recuperam fauna no litoral do Paran√°

Principal projeto de recifes artificiais do Pa√≠s, iniciativa aumenta n√ļmero de peixes - Associa√ß√£o Mar Brasil/Divulga√ß√£o

O maior projeto de recifes artificiais em atividade no País retomou em janeiro o lançamento de blocos de concreto na costa do Paraná. Após atrair espécies ameaçadas de peixes como o mero e revigorar a pesca artesanal da região, o Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar), implementado há um ano e meio, vai dobrar sua estrutura até o fim de março ao lançar no fundo do mar um total de 2.560 blocos, a 4,2 km das praias do Pontal do Paraná.

O projeto, da Associação MarBrasil, tem como objetivo principal a conservação e o incentivo à reprodução de espécies locais, mas serve também como fonte de estudos para a Universidade Federal do Paraná (UFPR), corresponsável pela implantação.

São três trabalhos em andamento: no local, levantando a população de peixes e organismos que colonizam os recifes; de controle do desembarque pesqueiro da frota na orla para evitar superexploração; e, finalmente, de atuação nas comunidades, com planos de manejo.

Em 2011, em uma √°rea de quase 12 quil√īmetros, foram colocados 120 blocos de concreto, ao longo de dez pontos, para a forma√ß√£o dos recifes artificiais. Segundo o zo√≥logo Ariel Scheffer, presidente da Associa√ß√£o MarBrasil, um dos motivos para o uso do concreto √© que, al√©m de n√£o liberar metais pesados, d√° a chance de moldar a estrutura conforme as necessidades.

“A estrutura dos recifes tem de ser robusta para n√£o se esfarelar no mar”, explica o pesquisador. “E com seis meses de imers√£o ou menos, o pH (potencial hidrogeni√īnico) fica igual ao da √°gua.”

Desde que os primeiros blocos foram lançados, cerca de 80 espécies de organismos já se integraram às estruturas subaquáticas Рdessas, 20 são tipos diferentes de peixes. O mais raro é o mero, cuja proibição de caça no País foi prorrogada no fim do ano passado por mais três anos.

“Tivemos o retorno do mero em grande quantidade, a partir da instala√ß√£o do recife, e hoje √© poss√≠vel ver muitos filhotes em diversos pontos”, diz Scheffer. “A popula√ß√£o de garoupas, que tamb√©m est√£o sendo bastante impactadas na costa brasileira, √© outra que est√° crescendo.”

As estruturas também combatem a degradação causada pela pesca de arrasto, inibindo o uso de redes.

Com o aumento na quantidade de peixes, o projeto beneficia diretamente cerca de 200 pescadores artesanais que atuam na região próxima à Baía do Paranaguá e tem atraído até mesmo comunidades vizinhas. Segundo os idealizadores, há possibilidade de expandir o projeto caso surjam novas demandas Рhá conversas com representantes de Matinhos, uma cidade próxima.

Uma das preocupa√ß√Ķes dos idealizadores tem sido garantir que os peixes n√£o se fixem no local ap√≥s fazer a reprodu√ß√£o e buscar alimentos. Al√©m disso, h√° um rod√≠zio de pesca nos blocos para evitar que algum deles sofra uma superexplora√ß√£o.

Legislação

O projeto no Paran√° √© o primeiro a ser licenciado pelo Ibama desde a regulamenta√ß√£o, em 2008 – at√© ent√£o, as autoriza√ß√Ķes eram obtidas em car√°ter especial. Segundo o √≥rg√£o ambiental, est√£o abertos 13 processos para implementa√ß√£o ou regulariza√ß√£o de recifes semelhantes ao longo de todo o litoral, mas somente quatro est√£o efetivamente em atividade.

“Provocamos a legisla√ß√£o para que ningu√©m possa jogar uma estrutura no mar sem planejamento adequado. Uma empresa de pneu, por exemplo, poderia jogar material e dizer que era um projeto ambiental”, diz Scheffer.

Segundo ele, a coloca√ß√£o de recifes artificiais com foco na conserva√ß√£o pode se multiplicar na costa brasileira com a regulamenta√ß√£o e os exemplos bem-sucedidos. “O modelo se mostrou bastante vi√°vel, pois os recifes atraem a mesma biodiversidade da regi√£o e simulam o ambiente natural. √Č um projeto que pode ser multiplicado.”

http://www.estadao.com.br


Estimulamos o debate suadável. Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Portal Pesca Amadora. Mensagens consideradas ofensivas serão excluidas automaticamente. Dúvidas e perguntas acesse a página de contato