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UE aprova cronograma para fim do descarte de pesca acidental

pesca-marinha Até 2019, prática deverá ser totalmente proibida nas águas territoriais e barcos da União Europeia, definiram os ministros da Pesca dos países-membros. Atualmente, 40% dos peixes capturados são devolvidos mortos ao mar.

Com uma abrangente reforma, a União Europeia (UE) procura mudar o rumo de sua política de pesca e proibir a prática do descarte de peixes capturados indesejadamente, já que na maioria das vezes tais peixes estão feridos ou mortos ao chegar de volta à água.

De acordo com o negociador-chefe da proposta em Bruxelas, o ministro irland√™s da Pesca, Simon Coveney, o acordo conseguido na madrugada desta quarta-feira (27/02) ir√° “mudar a forma como se pesca na Europa.”

Mas existem exce√ß√Ķes, e parte do pescado ainda poder√° ser descartado. Ulrike Rodust, deputada social-democrata no Parlamento Europeu, critica que a proibi√ß√£o tem lacunas, porque o consenso entre os ministros prev√™ uma redu√ß√£o de 7% ao longo de v√°rios anos, de 2014 a 2019. Al√©m disso, a nova legisla√ß√£o ser√° introduzida de forma gradual nas diferentes √°guas territoriais europeias.

Parte da ind√ļstria pesqueira alem√£ saudou o resultado. Gra√ßas √† proibi√ß√£o do descarte, futuramente, ser√° poss√≠vel precisar as reais cotas de pesca, disse em Hamburgo o diretor do Centro de Informa√ß√£o sobre o Peixe (FIZ, na sigla em alem√£o), Martin Keller.

Também faz parte da reforma a definição de cotas sustentáveis de pesca, ou seja, futuramente só poderá ser pescada a mesma quantidade de peixes que vão crescer futuramente. Os ministros já haviam concordado sobre essa decisão no ano passado.

Os países-membros da UE terão agora de negociar o acordo com o Parlamento Europeu. Até fins de junho, a Irlanda pretende que a proposta seja aprovada.

Quase metade do pescado volta para o mar

Em m√©dia, em todo o mundo, os pescadores capturam acidentalmente uma enorme quantidade de peixes. Num grande barco de camar√£o, por exemplo, os pescadores jogam fora todos os animais marinhos que n√£o sejam camar√Ķes. A organiza√ß√£o ambiental WWF estima que 40% de todos os peixes capturados voltam √† √°gua. Esses animais n√£o sobrevivem ‚Äď eles morrem devido √† r√°pida mudan√ßa de press√£o ao serem puxados pelas redes.

A planejada proibição do descarte na União Europeia deverá, agora, garantir a preservação das espécies. A proibição deverá valer tanto para grandes traineiras quanto para pequenas empresas familiares. Em vez de jogar o peixe no mar, eles deverão ser levados para terra, para ser vendidos como alimento ou ser transformados em farinha de peixe.

A proibi√ß√£o dever√° valer em √°guas territoriais da UE, como tamb√©m para todos os navios dos pa√≠ses-membros do bloco que pescarem em outras √°guas, por exemplo, na costa da √Āfrica ou da Groenl√Ęndia. Como a UE disp√Ķe da quinta maior frota pesqueira do mundo, chega-se assim muito mais pr√≥ximo da meta de se acabar com a sobrepesca.

Pesca excessiva na √Āfrica

Para a Uni√£o Africana, a sobrepesca tamb√©m √© um tema importante. Em muitas regi√Ķes costeiras africanas, o peixe √© a principal fonte de alimentos. Somente popula√ß√Ķes intactas de peixes podem garantir a seguran√ßa alimentar na regi√£o. Por esse motivo, o programa Parcerias para as Pescas Africanas promove a pesca sustent√°vel em todo o continente.

Nesse contexto, a captura acidental assume um papel cada vez mais importante, mesmo que a quantidade pescada pelos africanos seja bem menor que a dos europeus. O n√ļmero de grandes barcos industriais na √Āfrica √© menor que na Europa. A maioria dos pescadores aproveita quase todos os peixes que v√™m a bordo ‚Äď seja pelo consumo pr√≥prio ou pela venda.

“O grande problema na √Āfrica √© a pesca ilegal”, afirmou Alex Benkenstein, pesquisador marinho no Instituto Sul-Africano de Assuntos Internacionais. “Muitos pescadores sem licen√ßa capturam peixes cujas popula√ß√Ķes est√£o amea√ßadas. Al√©m disso, muitos dos pescadores licenciados capturam mais peixes do que devem, contribuindo assim para a pesca excessiva.”

Menos captura acidental ‚Äď grandes problemas

A eurodeputada Ulrike Rodust redigiu a proposta de proibi√ß√£o do descarte. Ela afirmou entender que sua proposta pode trazer dificuldades para os pequenos pescadores de camar√Ķes do Mar Mediterr√Ęneo. Ela explicou, no entanto, que “agora n√£o √© o momento de dificultar ainda mais a vida dos pescadores”, disse, “mas fazer com que, um dia, as popula√ß√Ķes de peixes se regenerem.” Segundo Rodust, um estudo constatou que 37 mil novos postos de trabalhos ser√£o criados at√© o ano 2032, caso as novas regras sejam seguidas.

Quando os pescadores voltam aos portos após uma jornada de 12 horas de trabalho, eles se perguntam como as novas regras irão influenciar seu cotidiano. Os Estados-membros da UE aprovaram a nova política de pesca, mas terão agora que negociar com o Parlamento Europeu, que terá ainda de aprovar a proposta.

http://terra.com.br


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