Últimas Notícias

Brasil quer gerar energia com onda do mar

barcos no marUma parceria entre Furnas, estatal responsável por 10% da geração de energia elétrica do Brasil, Coppe/UFRJ (instituto de pós-graduação e pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro) e a Seahorse Wave Energy, empresa nascida na incubadora da Coppe, está dando o passo inicial nessa direção.

Com o in√≠cio das opera√ß√Ķes do primeiro prot√≥tipo do equipamento previsto para 2015 na Ilha Rasa, em frente √† praia de Ipanema, a tecnologia 100% brasileira √© o in√≠cio de um ambicioso projeto de Furnas para atender as plataformas de petr√≥leo.

O objetivo maior está nas plataformas instaladas nas áreas do pré-sal, onde serão montadas nos próximos anos verdadeiras cidades flutuantes que precisarão de muita energia, prevê o diretor de tecnologia e inovação do Coppe/UFRJ, Segen Estefen.

“Em sete ou dez anos come√ßar√£o a surgir iniciativas comerciais no mar para gerar eletricidade a partir das fontes oce√Ęnicas. O Brasil tem que estar preparado para n√£o virar de novo uma col√īnia tecnol√≥gica”, afirma, referindo-se √† necessidade de importar tecnologia na gera√ß√£o das energias e√≥lica e solar.

O acadêmico lembra que, por causa do aquecimento global, o mundo entrou na corrida pela energia de ondas. A Escócia anunciou em maio deste ano a construção da maior usina de ondas do mundo, de 40 megawatts, suficiente para abastecer uma cidade com 30 mil casas.

Ele considera que o Brasil está no mesmo patamar tecnológico de EUA, Reino Unido e Coreia do Sul, o que evitará importar tecnologia.

Estefen prevê que a energia de ondas, com a eólica e a solar, substitua nas próximas décadas o mesmo petróleo que ajudará a produzir.

Seringa
O primeiro equipamento a ser instalado lembra uma seringa com 4,5 m de di√Ęmetro e movimento vertical de seis em seis segundos, no ritmo das ondas, dentro de uma coluna de concreto cravada no fundo do oceano. A tecnologia √© pr√≥pria para perto da costa (“nearshore”).

Atualmente, o Brasil tem apenas uma estação experimental de energia de ondas, no porto de Suape (PE), mas do tipo onshore (em terra). Para o pré-sal, as estruturas deverão ser maiores e flutuar.

Furnas investe R$ 8,2 milh√Ķes no projeto da Ilha Rasa, dentro da pol√≠tica de energias alternativas. A e√≥lica hoje perfaz 437 MW dos 12.000 MM gerados pela estatal.

A energia solar também está no radar e, agora, entrou a energia de ondas, diz Renato Norbert, gerente de pesquisa desenvolvimento e inovação.

A geração inicial será de cem quilowatts, suficiente para 200 residências.

O protótipo será operado pela Marinha, que substituirá com ele a geração de energia a diesel da Ilha Rasa usada para iluminar o farol e poucas casas.

O projeto √© aplaudido por ambientalistas: “Nas e√≥licas, falavam que os passarinhos iam morrer, mas n√£o tem isso. O Brasil n√£o pode ficar fora dessa nova fronteira”, afirma o secret√°rio do Ambiente do Rio, Carlos Minc.

O ocean√≥grafo David Zee apoia o plano n√£o s√≥ pela redu√ß√£o da emiss√£o de g√°s carb√īnico mas pela perspectiva de valoriza√ß√£o comercial do mar. “O mar n√£o √© s√≥ peixe, √© transporte, energia e outros benef√≠cios que a sociedade n√£o consegue perceber.”

http://www.folha.com.br


Estimulamos o debate amistoso. Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Portal Pesca Amadora. Mensagens consideradas ofensivas serão excluidas automaticamente. Dúvidas e perguntas acesse a página de contato