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Cientistas descobrem nova espécie de boto no rio Araguaia

Nova especie de boto descoberto no rio araguaia (Foto: Nicola Dutra)Cientistas da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) descobriram uma nova espécie de boto, a primeira descoberta desse gênero desde 1918. Eles suspeitam, no entanto, que a nova espécie encontrada já tenha vindo à tona sob risco de extinção.

No estudo publicado na revista especializada “Plos One”, os pesquisadores da UFAM dizem que a esp√©cie batizada como boto do Araguaia √© uma das cinco integrantes do g√™nero que tamb√©m inclui o boto cor- de-rosa, da Amaz√īnia. Os pesquisadores estimam que haja apenas mil botos dessa esp√©cie vivendo no rio Araguaia.

O boto do Araguaia teria se diferenciado dos outros familiares do g√™nero h√° mais de dois milh√Ķes de anos, segundo o pesquisador Tomas Hrbek.

“Foi tudo muito inesperado. √Č uma √°rea onde as pessoas veem eles o tempo todo, j√° que s√£o mam√≠feros grandes. Mas ningu√©m tinha notado (que era uma outra esp√©cie)”, disse.

As diferen√ßas com o boto cor-de-rosa seriam o n√ļmero de dentes. A nova esp√©cie tamb√©m seria menor. Mas, a maioria das diferen√ßas foram encontradas nos genes do animal.

Ao analisar amostras de DNA de dezenas de botos dos dois rios, os pesquisadores concluíram que o do rio Araguaia era mesmo uma nova espécie.

Mas, mesmo depois destas an√°lises, ainda pode haver questionamento.

“Em ci√™ncia voc√™ nunca pode ter certeza de nada”, disse Hrbek.

“Analisamos o DNA mitocondrial, o que √©, essencialmente, an√°lise de linhagens, e n√£o h√° compartilhamento de linhagens. Os grupos que vimos, os hapl√≥tipos, t√™m uma rela√ß√£o muito mais pr√≥xima entre eles do que entre outros grupos. Para isto acontecer, os grupos devem ter ficado isolados uns dos outros por um per√≠odo longo”, acrescentou.

“A diverg√™ncia que observamos √© maior do que as diverg√™ncias observadas entre outras esp√©cies de golfinhos”, afirmou.

Futuro

Os pesquisadores temem pelo futuro do boto do Araguaia, pois parece haver pouca diversidade genética entre esses botos devido à população reduzida. Os maiores riscos são trazidos pela ocupação humana na região.

“Desde a d√©cada de 1960, a bacia do rio Araguaia t√™m passado por uma press√£o antropog√™nica significativa, devido a atividades agr√≠colas, fazendas e a constru√ß√£o de hidroel√©tricas”, escreveram os autores do estudo na Plos One.

“Os botos est√£o no topo da cadeia, eles comem muito peixe. Eles roubam as redes de pesca, ent√£o os pescadores tendem a n√£o gostar deles, as pessoas atiram neles”, disse Hrbek.

Para os pesquisadores, devido a esses motivos, o novo boto deveria ser incluído na lista de espécies em maior risco de extinção.

Os golfinhos de rio, ou botos, estão entre as espécies mais raras do mundo.

Segundo a União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), das quatro espécies de botos já conhecidas, três estão na lista de grande risco de extinção, a chamada Red List.

Os botos são parentes distantes dos golfinhos encontrados nos oceanos. Eles têm bicos mais longos para poder caçar peixes no fundo dos rios, em meio à lama e lodo.

Uma das espécies mais conhecidas é o boto do Yangtze, ou baiji, que teria sido extinto em 2006.

Já o boto-cor-de-rosa do Amazonas é considerado uma das espécies mais inteligentes de todos os botos.

http://noticias.uol.com.br


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