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Estiagem faz reservatório de hidrelétrica entre MG e SP chegar a menos de 14%

Hidreletrica de marimbomdo proximo do minimoCom a estiagem que vem se prolongando h√° meses, o n√≠vel dos rios do Tri√Ęngulo Mineiro est√° cada vez mais preocupante. O resultado pode ser visto na represa da Usina de Marimbondo, em Fronteira, na divisa de Minas com S√£o Paulo. A hidrel√©trica, que utiliza a √°gua do Rio Grande, tem capacidade de produzir energia para cerca de dois milh√Ķes de pessoas. Mas a situa√ß√£o est√° t√£o cr√≠tica, que atualmente trabalha com apenas 13,67% da capacidade total. Moradores da regi√£o que dependem da pesca tamb√©m sofrem com a seca.

A régua indica que faltam apenas cinco metros para atingir o nível mínimo de operação. Mesmo assim, o Ministério de Minas e Energia garante que não há possibilidade de racionamento para este ano.

Por√©m, esta n√£o √© a √ļnica preocupa√ß√£o, j√° que muitas fam√≠lias tiram o sustento do Rio Grande. Em um dos trechos, muito utilizado para pesca, em meses de cheia a profundidade chega a quase cinco metros. Hoje, o n√≠vel est√° t√£o baixo, que √© poss√≠vel andar sobre as pedras.

‚ÄúJ√° houve √©poca em que peg√°vamos cerca de 200 kg de fil√© de cascudo. Agora, o pescador vai, arma seis redes e pega apenas 3 kg. O peixe est√° escasso. T√° dif√≠cil trabalhar‚ÄĚ, relembrou o pescador Ant√īnio Gon√ßalves.

Pescado na hidreletrica de marimbondoDificuldade tamb√©m para Jos√© Capristo, que h√° mais de 50 anos vive da pesca e do aluguel de barcos. Segundo ele, h√° muito tempo n√£o via o n√≠vel do rio t√£o baixo. A frota conta com onze barcos, e j√° faz tempo que alguns nem entram no rio. ‚ÄúA mesma situa√ß√£o aconteceu h√° 20 anos. Esta n√£o √© a primeira vez. Quando o rio enche, cerca de 5 a 10 barcos s√£o alugados todos os dias. Agora, √†s vezes n√£o se aluga nenhum‚ÄĚ, lamentou.

Com pouco peixe no rio, e sem pescador interessado em navegar muito, j√° come√ßa a faltar produto nas peixarias de Fronteira. ‚ÄúTenho que comprar de frigor√≠ficos do Amazonas, Mato Grosso e peixes de criat√≥rio‚ÄĚ, afirmou o comerciante Valdez Moura.

Valdez contou ainda que a economia da cidade √© movimentada pela pesca, e por isso tem medo de como ser√£o os pr√≥ximos meses se a estiagem continuar. ‚ÄúIsso n√£o pode acontecer mais, porque o pre√ßo do peixe tamb√©m acaba aumentando e o povo n√£o compra. Pode ficar muito dif√≠cil, e gente pode acabar fechando‚ÄĚ, argumentou.


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