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Morador flagra pesca com bomba em Salvador-BA

Morador flagra pesca com bomba em Salvador-BA (Foto: Valter Pontes)Os moradores do Corredor da Vit√≥ria relatam que, recentemente, v√™m ouvindo diversas explos√Ķes de bomba na regi√£o. Mas as v√≠timas do crime n√£o s√£o s√≥ eles. Somos todos n√≥s. √Č todo o meio ambiente.

Na semana passada, um morador finalmente conseguiu registrar uma dessas explos√Ķes. Foi o fot√≥grafo Valter Pontes, 45 anos, que quando se preparava para sair para o trabalho, ouviu uma explos√£o e correu at√© a janela.

“Eu estava preparando o equipamento, umas 7h e pouco, quando ouvi a porrada. Apesar de morar no 26¬ļ andar, fui na janela e consegui fotografar. Foi s√≥ o tempo de ajeitar, coisa de, no m√°ximo, 10 minutos”, conta ele, que mora na Avenida Sete de Setembro.

Pontes registrou um trio de homens pescando com bomba próximo aos píers dos edifícios da região. Apesar de ser crime, a atividade não chega a ser rara na Baía de Todos os Santos (BTS), mas na região da Vitória é novidade até para quem faz o policiamento da atividade.

Morador flagra pesca com bomba em Salvador-BA  (Foto: Valter Pontes)“Normalmente, n√£o temos casos da Vit√≥ria. Geralmente, as den√ļncias s√£o na Pen√≠nsula de Itapagipe e em algumas localidades da Ilha de Itaparica”, explicou o capit√£o Mois√©s Brand√£o, subcomandante da ¬†Companhia de Pol√≠cia de Prote√ß√£o Ambiental (Coppa), da Pol√≠cia Militar.

Pelas fotos, d√° para ver o mar remexido e os peixes boiando. Segundo Pontes, eram os vest√≠gios do explosivo. “Depois, eles foram com o barquinho para perto do pr√©dio do lado, como se estivessem se escondendo. Fiquei muito surpreso, n√£o ouvia isso h√° uns tr√™s ou quatro anos”.

Apesar da surpresa do capit√£o, moradores da regi√£o dizem que ¬†o uso de bombas para pescar por ali tem sido frequente nos √ļltimos meses. “O √ļltimo que ouvi, h√° duas semanas, foi √† noite. Foi um estrondo muito alto, com um tremor e o eco de l√° para c√°”, afirma o estudante de Administra√ß√£o Riam Santos, 23, que mora na Resid√™ncia Universit√°ria da Ufba.

Hor√°rios Escolhidos
Os hor√°rios preferidos s√£o a madrugada e o in√≠cio da manh√£, segundo o porteiro de um pr√©dio do Corredor da Vit√≥ria, que n√£o quis se identificar. O tamb√©m porteiro Ant√īnio dos Santos, que trabalha na Rua Alo√≠sio de Carvalho, uma rua transversal, refor√ßou que esses s√£o os momentos mais comuns. “√Č quando a gente ouve os estrondos. H√° alguns anos, quando eu trabalhava no p√≠er, via os peixes boiando de vez em quando”, contou.

Morador flagra pesca com bomba em Salvador-BA  (Foto: Valter Pontes)A ação de quem realiza a pesca com bomba é rápida, o que dificulta a captura dos criminosos. Em média, dura apenas 12 minutos, entre o momento da localização do cardume, até o recolhimento dos peixes mortos.

“N√≥s tentamos administrar esse tempo para chegar antes desses 12 minutos, posicionando as embarca√ß√Ķes em locais estrat√©gicos, mas √© quase uma luta de gato e rato, de Tom e Jerry”, diz o capit√£o Mois√©s.

Impactos ambientais 
A bomba costuma atingir uma profundidade de até 12 metros, segundo o superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na Bahia, Célio Costa Pinto.

Ele diz que os impactos ambientais da atividade s√£o “devastadores”, j√° que a quantidade de animais diminui muito e h√° dificuldade de regenera√ß√£o natural de corais e recifes, a depender do local.

“Eles miram o cardume e a explos√£o mata peixes de diversos tamanhos, mas tamb√©m afeta outros tipos de vida e seres aqu√°ticos que vivem no fundo do mar e em locais de recife. A perda de biodiversidade ¬†√© muito grande”.

Para a promotora Cristina Seixas Gra√ßa, coordenadora do Centro de Apoio √†s Promotorias de Meio Ambiente e Urbanismo e do N√ļcleo de Defesa da BTS, falta estrutura para os √≥rg√£os combaterem a atividade.

“Os √≥rg√£os precisam se estruturar efetivamente para garantir isso, porque a pesca com bomba n√£o atinge s√≥ o peixe, mas tambem as pessoas pr√≥ximas, o turismo n√°utico e uma s√©rie de outras atividades”, pontua.

Segundo o capitão Moisés Brandão, da Coppa, além do policiamento no mar,  a companhia tem contato com  comunidades de pescadores para promover educação ambiental. No caso da pesca com bomba, o policiamento e a repressão são feitos exclusivamente pela Coppa Рa Marinha não se envolve porque, pela legislação das Forças Armadas, essa é uma atribuição da polícia de cada região.

Correio 24 Horas
Fotos: Valter Pontes


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