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Pesca Esportiva РPraticar o pesque e solte traz mais benefícios segundo estudos

pesque e soltePara quem pratica a pesca esportiva, pescar e soltar já é uma ação praticamente automática, mesmo que o pescador leve algum peixe para casa, a maioria é devolvida para que possam se desenvolver e se reproduzir no futuro. Claro que os índices de sobrevivência variam de acordo com a espécie, mas, alguns estudos apontam que o ato de soltar o peixe após uma captura, traz um benefício de cerca de 92% pós-devolução.

Analisando alguns pontos, a pesca esportiva se mostra eficaz, matar um peixe para comer é compreensível e saudável, porém, matar tudo o que se pesca obviamente trará danos a continuidade e genética das espécies.

O ato de pescar e soltar já se define pelo fato de o pescador dar a chance de sobrevivência, em uma pescaria onde 100 peixes são capturados, se nenhum for devolvido, serão cem exemplares abatidos com certeza, se a cada 100 peixes fisgados, 10 são abatidos e outros 10 morrerem por consequências da pescaria, ainda teremos 80% dos peixes vivos e dando continuidade na reprodução das espécies. Sempre 20% de perda será melhor do que 100% de perda no antigo sistema onde se abate tudo o que se pesca.

Truta - Pesque e solte na ArgentinaNa Argentina o processo de soltar o peixe j√° est√° bem incorporado por todos e os estudos locais mostram que uma mesma truta chega a ser fisgada at√© nove vezes por temporada, gerando muito mais recursos ao setor do que se fosse morto quando pescado pela primeira vez. Isso mostra que quando manuseado da maneira correta, o peixe consegue sobreviver e se recuperar de eventuais les√Ķes.

Para os empreendimentos que dependem da pesca esportiva, o retorno financeiro que um peixe vivo traz, chega a ser incalcul√°vel, adeptos da pesca esportiva gastam em m√©dia de R$ 600,00 a R$ 1.500,00 reais por um √ļnico dia de pesca, entre transporte, hospedagem e pescaria, al√©m de gastos pessoais e com equipamentos, gerando renda e emprego, j√° o peixe que √© capturado e abatido, esse n√£o trar√° qualquer retorno j√° que o seu crescimento e poss√≠vel reprodu√ß√£o gen√©tica reprodutiva firam interrompidos.

No Brasil, o estado de Goi√°s estabeleceu cota zero para transporte de pescado, onde o pescador pode pescar e comer o pescado no local, mas n√£o pode levar nenhum exemplar para casa. No lago Serra da Mesa por exemplo, onde antes quase n√£o se fisgava mais tucunar√© acima de 2 kg, hoje j√° √© poss√≠vel ver um maior n√ļmero de peixes acima desse peso, mostrando que o m√©todo adotado traz benef√≠cios.

Dourado - Pesque e Solte no MTJ√° no Mato Grosso, empres√°rios do setor chegaram a pedir a proibi√ß√£o da pesca do dourado por 5 anos para que os estoques da esp√©cie possam se recuperar e voltar a reproduzir grandes exemplares. Em 2012, baseado na lei n¬ļ 9.893, ficou proibido o abate do dourado na Bacia do Paraguai (Pantanal) e da Piraiba/Filhote na Bacia Amaz√īnica, Araguaia e Tocantis. As esp√©cies est√£o √† beira da extin√ß√£o nesses locais.

Na Amaz√īnia, um estudo realizado pelo INPA (Instituto Nacional de Pesquisas Amaz√īnicas) em 2011, mostrou que apenas 4,12% morreram ap√≥s a soltura. Foram capturados 112 peixes com uso de iscas artificiais, cada exemplar foi mensurado e acondicionado em um tanque-rede por 72 horas. Foram analisados tucunar√©s-amarelos, a√ßus, borboletas e bot√Ķes.

kalua_dez2012_05Dentre as espécies de tucunarés analisados, a que apresentou o maior índice de mortalidade foi o açu, com 7,14% de animais mortos. O tucuna-amarelo se mostrou o mais resistente, com apenas 2,38% de mortos.

Ainda, segundo a pesquisa, as regi√Ķes anat√īmicas mais suscept√≠veis dos peixes foram a regi√£o ocular e as guelras: 60% das mortalidades estavam associadas a fixa√ß√Ķes do anzol na regi√£o ocular e 40%, nas guelras.

O estudo conclui que ‚Äúos dados, apontaram que os tucunar√©s apresentam uma taxa de mortalidade no sistema pesque-e-solte relativamente baixa, sendo possivelmente administrada com uma adequada gest√£o pesqueira‚ÄĚ.

Mas, para que o sistema de pescar e soltar funcione e traga benefícios é importante entender e realizar essa devolução de modo correto, de tal forma que o peixe possa se recuperar e continuar e se desenvolver.

Alguns dados interessantes:

  • Principais fatores de mortalidade: Os principais fatores de mortalidade dos peixes capturados e devolvidos √† √°gua s√£o o stress, os ferimentos em √≥rg√£os fundamentais e o tempo de manuseio do peixe fora da √°gua.
  • Iscas artificiais X Iscas naturais: Ao contr√°rio do que muitas pessoas acreditam, as iscas artificiais causam menos danos ao peixe. Estudos mostram que a menor taxa de sobreviv√™ncia foi observada com o uso de anzol simples e iscas naturais, quando este se prendia √† l√≠ngua (75%), aos arcos branquiais (73%) e ao es√īfago (94%). As iscas artificiais, por serem maiores, s√£o mais dif√≠ceis de o peixe embuchar e os ferimentos causados se concentram, na maioria das vezes, na membrana da boca, o que causa les√Ķes superficiais e de r√°pida cicatriza√ß√£o.
  • O uso da farpa: Esse √© um assunto muito pol√™mico entre os pescadores esportivos. Com o in√≠cio da pesca esportiva foi difundida a ideia do uso de anz√≥is e garat√©ias sem farpas. A primeira pol√™mica √© se o uso do anzol sem farpa diminui a produtividade da pesca. Sem entrar no m√©rito da quest√£o, os estudos com grupos de peixes indicam que n√£o h√° diferen√ßa significativa nos √≠ndices de mortalidade com e sem farpa.

Obviamente, o anzol sem farpa traz alguns benefícios, como a redução no tempo para liberação do peixe e, no caso de um acidente com o pescador, fica muito mais fácil retirar um anzol ou uma garatéia sem farpa.

Para saber mais sobre a prática do pesque e solte, acesse a publicação fixa do site:
www.pescamadora.com.br/pesque-e-solte


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