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Meros na mira dos arpões de quem pratica a caça submarina em Pernambuco

Recentemente, um grupo de mergulhadores de uma empresa pernambucana aquática esteve no rebocador Marte, situado a 32 metros de profundidade e a seis milhas náuticas de Serrambi, Litoral Sul do Estado, e encontraram um mero arpoado sob condições precárias.

O animal estava em um canto, no interior do naufrágio, totalmente imóvel, apesar de vivo. Os instrutores de mergulho denunciam que tem sido cada vez mais recorrente a movimentação de pessoas demarcando com GPS pontos que têm naufrágio entre o Recife, Porto de Galinhas e Serrambi. Segundo eles, diversas denúncias teriam sido feitas às autoridades competentes, mas nenhuma fiscalização foi feita até o momento.

Marcelo Gesteira foi um desses mergulhadores que, na tentativa de salvar a vida do mero, cortou o cabo de nylon e removeu o arpão. A reação do mero, que há oito meses estava no naufrágio Marte, foi apenas deitar-se no fundo e ficar quieto. Talvez, acredita ele, o trauma fez o peixe se afastar do local que tinha como habitat como uma forma de se proteger da má-fé dos caçadores.

Nesta terça-feira (14), por volta das 8h, ele e outros instrutores pretendem mergulhar na tentativa de achá-lo. “Foi drástico vê-lo daquele jeito. Ele estava agonizando. Consultamos um biólogo marinho e, ao mostrar as fotos, fomos informados que as feridas foram graves, mas que existia a possibilidade dele conseguir sobreviver”, acredita.

Porém, desde o último dia 8, quando o arpão foi removido, ele não foi mais encontrado. Os mergulhadores temem que os ferimentos tenham o deixado frágil, ao ponto de ele se tornar uma presa fácil. “Prefiro acreditar que ele só se afastou”, fala, esperançoso.

Espécie é protegida e ameaçada de extinção
Por meio de portaria interministerial, de autoria dos Ministérios da Pesca e Aquicultura e do Meio Ambiente, a proibição da captura foi ampliada por mais 8 anos, ficando a proibida pesca até 2023. A pena é multa de R$ 5 mil por indivíduo pescado e cancelamento de licenças ou registros de atividade pesqueira, além de detenção de um a três anos.

Apesar de toda legislação em vigor, Gesteira põe em xeque se o afundamento recentemente de quatro rebocadores na costa pernambucana vai atrair não só mergulhadores, como também praticantes da caça ilegal. “Se tivéssemos uma fiscalização eficaz e um maior comprometimento das autoridades, a legislação não seria tão frouxa”, critica.

Ele também denuncia que um caso semelhante ocorreu no naufrágio Vapor de Baixo, no Recife, há duas semanas. Durante um mergulho, o mero que vivia por lá já não estava mais na embarcação. “Posteriormente tomamos conhecimento pelos pescadores de que ele teria sido caçado”, lamenta, alertando que os meros capturados nos naufrágios estão sendo cortados em filés ainda na embarcação como um meio de obstruir a prova do crime.

Portal Folha PE


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