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Decoada começa no rio Paraguai causando morte de peixes no Pantanal

Comum nesta √©poca do ano por causa da cheia do Rio Paraguai e considerada fen√īmeno natural pelos pesquisadores, a decoada tem causado a morte de peixes no Pantanal pela falta de oxig√™nio e deixando a √°gua com uma cor mais escura na regi√£o da Serra do Amolar.

“Normalmente, a decoada acontece no fim do m√™s de mar√ßo com a primeira chegada das √°guas. Com a cheia, as √°guas invadem o campo e decomp√Ķem a mat√©ria org√Ęnica das margens, no caso, as plantas”, diz o presidente do Ecoa, Andr√© Luiz Siqueira.

As bactérias responsáveis por essa deterioração, segundo ele, consomem o oxigênio e causam a morte dos peixes. Todas as espécies, segundo ele, sofrem com o processo. Alguns ainda tentam escapar.

“No Rio Paraguai h√° grandes bahias que recebem √°gua limpa de outros rios que existem por perto, e alguns peixes tentam ir para esses locais para escapar do fen√īmeno. Esses peixes s√£o os conhecidos peixes tontos, porque ficam debilitados com o fen√īmeno”, pontua.

A decoada est√° diretamente relacionada ao regime de cheia e seca dos rios da plan√≠cie pantaneira. Quando as √°guas recuam, a vegeta√ß√£o aqu√°tica morre e a terrestre, em especial gram√≠neas, se recomp√Ķe de forma r√°pida.

Durante a enchente subsequente, segundo D√©bora Calheiros, pesquisadora da Embrapa Pantanal, a √°gua passa a cobrir a plan√≠cie pantaneira deixando esta vegeta√ß√£o submersa. Toda essa mat√©ria org√Ęnica em contato com a √°gua come√ßa a se decompor e, conforme o n√≠vel de inunda√ß√£o aumenta, os produtos da decomposi√ß√£o s√£o levados do campo inundado para os lagos (ba√≠as), c√≥rregos e rios.

Esse processo de decomposi√ß√£o realizado pelas bact√©rias √© t√£o intenso que √© capaz de consumir todo o oxig√™nio dissolvido na √°gua, liberando o di√≥xido de carbono livre. O fen√īmeno dificulta a respira√ß√£o dos peixes, que sobem √† superf√≠cie para tentar absorver o oxig√™nio da interface ar-√°gua (‚Äúboquear‚ÄĚ) e ficam mais expostos aos predadores ou acabam morrendo se n√£o acharem uma √°rea com √°gua em melhores condi√ß√Ķes.

Segundo a pesquisadora da Embrapa Pantanal, o fen√īmeno pode matar toneladas de peixes. Em 2013, a Embrapa Pantanal lan√ßou uma cartilha explicativa sobre o fen√īmeno da Decoada.

Apesar disso, Débora explica que a decoada tem um papel ecologicamente importante para o funcionamento do Pantanal. Faz parte do ciclo de renovação da planície relacionado ao ciclo das águas e garante a entrada de nutrientes no sistema. Normalmente a decoada acontece no período de enchente, entre fevereiro e maio. Nesta época as altas temperaturas (média de 32 graus) no Pantanal aceleram o processo de decomposição.

Quando uma frente fria se aproxima, as temperaturas caem por alguns dias e o processo de decomposição desacelera, melhorando a qualidade da água.  Em 1995, o rio Paraguai chegou a ficar dois meses praticamente sem oxigênio em função da decoada.

√Č dif√≠cil prever exatamente onde a decoada vai ocorrer, mas D√©bora afirma que o fen√īmeno tende a acontecer a partir do Parque Nacional, na divisa com o Mato Grosso, na regi√£o conhecida como Tr√™s Bocas. Normalmente atinge as √°reas marginais, campos inundados e ba√≠as, em caso de cheias mais localizadas, mas pode atingir o canal principal dos rios, se a inunda√ß√£o for intensa.


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