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Ibama pede paralisação da Hidrelétrica de Belo Monte devido morte de peixes

Milhares de peixes, inclusive espécies no período de desova, têm morrido a cada teste e acionamento das máquinas de Belo Monte, segundo averiguou o Ibama. A decisão foi tomada na última sexta-feira (9), depois que técnicos confirmaram que o problema tem sido recorrente. A Norte Energia já foi multada mais de uma vez pelo Ibama por conta da morte de peixes no rio Xingu, no Pará, onde está instalada a usina de Belo Monte. A situação persiste apesar de a empresa supostamente já ter tomado medidas para acabar com o problema.

O que causa a morte dos peixes é a força gerada pelos rotores das turbinas no fundo do reservatório. Ao entrarem em operação ou mesmo durante sua fase de testes, as turbinas sugam os peixes. Até meados de 2019, o projeto de Belo Monte prevê que 18 turbinas com essa capacidade estarão em operação. Oito delas já foram acionadas pela concessionária, que agora espera a liberação do setor elétrico para iniciar a atividade da nona máquina.

Entre janeiro e fevereiro, quando a Norte Energia colocou sua oitava máquina para rodar, o Ibama já havia notificado a empresa para que tomasse medidas e resolvesse o problema. Entre 16 e 24 de fevereiro 2018, relatórios apresentados ao Ibama apontaram que 395 quilos de peixes (936 unidades de várias espécies) foram retirados mortos do rio.

Um dia depois, em 25 de fevereiro, a concessionária informou que usou duas técnicas para acabar com a mortandade. Uma consistia em fazer a injeção de ar com alta pressão no tubo de sucção das turbinas para espantar os peixes. A outra se apoiou em utilização de uma equipe de mergulho. Dois mergulhadores entraram na máquina e seguiram pelo interior do tubo de sucção até as pás da turbina, na tentativa de afugentar os peixes. Mas não deu certo, segundo o Ibama.

Entre 25 de fevereiro e 5 de março, foram coletados 1.072 peixes mortos, equivalentes a 508 quilos. “As medidas propostas pelo empreendedor foram testadas e se mostraram ineficientes”, conclui o parecer do Ibama, apontando que as medidas “não indicam redução significativa nas taxas de perecimento de peixes”.

O relatório técnico menciona casos de mortes de peixes ocorridos no acionamento da hidrelétrica de Teles Pires, na Amazônia, e que o problema só foi solucionado com a instalação de uma “grade anticardume”.

Sobre a paralisação da usina, declarou que a medida geraria graves efeitos à população local e às regiões para onde a produção da usina é escoada, o que resultaria em elevação dos custos das tarifas e prejuízos ambientais, decorrentes do acionamento das termoelétricas.


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