Últimas Notícias

Tecnologia acelera o crescimento na criação de lambari em cativeiro

O lambari sem dúvidas é um dos peixes mais conhecidos, mas pouco consumido devido o seu baixo valor comercial. Porém, um grupo de pessoas tem trabalhado e investindo em tecnologia para criar a espécie em cativeiro, com a intenção de comercializa-lo como isca de pesca.

Para muitos, o lambari foi o primeiro peixe de sua vida. Pelo formato, a cor das nadadeiras e a bravura com que se defende, muitos consideram o lambari um dourado em miniatura. Pescador nenhum se sente diminuído ao pescar um lambari.

Com o crescimento do turismo de pesca e o aumento no interesse pela prática no Brasil, três fatores recentes estão transformando o lambari em uma opção na piscicultura:

  1. A reprodução artificial e a criação em cativeiro que transformam o lambari em isca, transformando a criação em um negócio regular e importante.
  2. A possibilidade da inserção da espécie em redes de supermercado como carne.
  3. O instrumento que permite ao pescador praticar a pescaria durante o ano todo em lagos e represas, mesmo no período da piracema.

Hoje se sabe que o lambari pertence a um gênero específico, com quase uma centena de espécies. O lambari pertence ao gênero astyanax e só existe na América, do Rio Grande (na fronteira dos Estados Unidos com o México) até perto da Patagônia, no extremo sul da América do Sul. No Chile não tem porque a água é muito fria. No caso do rabo amarelo, a espécie se chama astyanax bimaculatus, por causa de duas máculas, ou manchas, que tem no corpo.

Em Buritizal, nordeste do estado de São Paulo, quase divisa com Minas, funciona um abatedouro industrial de lambari. E um sistema integrado de recria e engorda desse peixe.

Jomar Delefrate, nascido em Buritizal, trabalhava com a fábricação de sorvetes até que decidiu comprar um terreno perto da cidade para trabalhar com piscicultura principalmente com tanques rede. Foi a partir dai que o interesse na espécie surgiu, já que a cada redada para retirar pacu ou a tilápia, vinha uma certa quantidade de lambaris.

“Você fica curioso com isso, como é que esse peixe foi parar no tanque ?!, a partir dai fomos em busca de uma analise  e descobrimos que esses peixes são trazidos pelas pernas dos pássaros, eles pousam nos pequenos riachos e trazem esses ovos para a represa grudados nos pés. São esses ovos que acabam proliferando nos tanques”, diz ele.

Foi juntando os lambaris num tanque especial para vender como isca. A coisa foi no boca-a-boca, de um pescador para outro, e logo Jomar observou que esse lambari variante não ia dar pra encomenda. Resolveu, então, mexer apenas com lambari.

Hoje, além dos seus 40 tanques próprios, Jomar opera outros 200 tanques, também de lambari, de parceiros que fazem engorda. Jomar adaptou um trator comum para fazer o trato nos seus tanques. O peixame se entusiasma só com o barulho do trator. Os lambaris ficam nos tanques até a fase de adultos.

Esses tanques são de matrizes que vão servir à reprodução assistida. Elas foram colhidas no Paranazão, no rio Grande e em rios do Sul de Minas. Objetivo é um híbrido de bom tamanho. No momento da reprodução, faz-se a coleta nos tanques, separando os machos das fêmeas.

A instalação do Jomar tem um laboratório onde se faz a reprodução artificial dos lambaris. E entra aqui uma vantagem adicional desse peixinho: é que ele reproduz praticamente o ano todo, exceto os dias muito frios de inverno. Responsável pela reprodução nos tanques de Jomar é seu filho, Tiago, agrônomo que trabalha com lambaris desde a faculdade.

A estimulação das fêmeas é feita com a injeção de hormônios de reprodução dos peixes. No caso, hormônio da carpa. O produto vem da Hungria. São feitas duas aplicações para a desova. “Logo após a segunda aplicação, eles vão realizar a dança do acasalamento e a fêmea vai soltar todo o ovo que tem presente na sua barriga”, diz o agrônomo Thiago Delefrate.

O Macho fertiliza os ovos que vão então dar origem aos alevinos. A eclosão dos ovos se dá em 3 a 4 dias, quando nasce o lambari ainda em forma de larva. No primeiro dia, o que a gente vê no tanque são só pontinhos se mexendo. O ideal seria mandar para engorda apenas as fêmeas, que são maiores e mais fortes que os machos. Mas a sexagem precoce do lambari é um ganho tecnológico ainda não alcançado entre nós.

A criação do lambari em cativeiro traz uma revelação surpreendente: lambari pode render mais na engorda do que outros peixes maiores. Você vai conhecer uma nova aposta dos criadores: o lambari embalado, limpo, pronto pra fritar.

O caminhão de alevinos chega num produtor integrado, desses cerca de 200 que existem entre Minas e São Paulo. O próprio Jomar funciona aqui de motorista.

Na parceria, Jomar dá orientação técnica e fornece os filhotes. O parceiro entra com o tanque, o serviço e a ração. Quando o lambari está gordo, Jomar faz a retirada combinando antes o preço, que é o de mercado.

O ciclo de engorda do lambari é de quatro meses. Num ano bom dá três rodadas por ano, o que não é comum. A densidade é de 50 peixes por metro quadrado. Assim, um tanque de 50 x 20, mil metros quadrados, recebe 50 mil lambaris por ciclo. A perda é de cerca de 10% por conta a predadores, erro de contagens, mortes.

Um produtor informou que durante o mês de abril, vendeu seu lambari de um tanque desses a um total de R$ 5.850. Tirando despesa, que a principal é a ração, ficou pra ele um resultado de R$ 2.340. Como o ciclo é de 4 meses, dá uma renda de R$ 585 reais por mês. Normalmente, um criador tem mais um tanque e vai aumentando o seu ganho conforme a quantidade de peixes que engorda.

Nesse caso, as instalações são de Jomar em Buritizal, que é quem recolhe os lambaris gordos para vender. Os peixes passam primeiro por uma seleção de tamanho: os maiores vão para o mercado de isca viva e os menores para o frigorífico.

É custoso o trabalho de descamar e limpar o lambari à mão. Uma pessoa adulta consegue limpar cerca de 20 quilos por dia. E é um serviço repetitivo e enjoado. Dr Fábio atuou no desenvolvimento da máquina de descamar e limpar 250 kg de lambari por dia e que está possibilitando sua exploração também como carne.

Globo Rural – G1.globo.com


Estimulamos o debate amistoso. Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Portal Pesca Amadora. Mensagens consideradas ofensivas serão excluidas automaticamente. Dúvidas e perguntas acesse a página de contato