BACIA AMAZÔNICA
A bacia amazônica
é a maior bacia hidrográfica do mundo, com uma drenagem de 5,8
milhões de km², sendo 3,9 milhões no Brasil. Suas nascentes
estão localizadas na Venezuela, Colômbia, Peru e Bolívia. No
Brasil, abrange os Estados do Amazonas, Pará, Amapá, Acre,
Roraima Rondônia e Mato Grosso. Como é atravessado pela linha do
Equador, o Rio Amazonas apresenta afluentes nos dois hemisférios
do Planeta. Entre os principais afluentes da margem esquerda
encontram-se o Japurá, o Negro e o Trombetas; na margem direita,
o Juruá, o Purus, o Madeira, o Xingu e o Tapajós.
A Bacia Amazônica é fortemente influenciada pela pronunciada
sazonalidade das chuvas. As chuvas começam entre
novembro-dezembro na região ao sul do Equador e uns meses mais
tarde ao norte do Equador e se estendem por 4 a 5 meses.
Com 6.500km de extensão, o Rio Amazonas é responsável por 20% da
água doce despejada anualmente nos oceanos. Embora seja de longe
o maior rio do mundo em volume de água, geralmente não é
considerado o mais longo. No entanto, considerando-se que,
durante o período de cheia, ele se estende mar adentro,
provavelmente é também o mais longo. O Rio Amazonas é um rio de
planície, possuindo baixa declividade. Sua largura média é de 4
a 5km, mas, em alguns trechos, alcança mais de 50km. Navios
oceânicos de grande porte podem navegar até Manaus, capital do
Estado do Amazonas, enquanto embarcações menores com até seis
metros de calado, podem alcançar a cidade de Iquitos, no Peru,
distante 3.700km do oceano Atlântico.
Entre os afluentes do Amazonas encontram-se rios de águas
barrentas (ou brancas, como as populações locais se referem a
eles), de águas claras e de águas pretas. Os rios de águas
barrentas, como o Madeira e o próprio Amazonas, têm essa cor por
causa dos sedimentos, ricos em nutrientes, carreados rio abaixo
desde as montanhas andinas. Por esse motivo são os rios que
apresentam maior produtividade.
Os rios de águas claras, como os rios Xingu, Tapajós e o
Trombetas, têm as nascentes nos planaltos do Brasil e das
Guianas. Os trechos médio e alto desses rios possuem muitas
corredeiras e quedas d'água. Como drenam áreas enormes e muito
erodidas, suas águas são relativamente transparentes e
alcalinas. Nesses rios, as pescarias com iscas artificiais são
bastante interessantes, porque é possível observar os peixes
atacando as iscas.
A grande quantidade de areia depositada na planície amazônica
deu origem aos rios de águas pretas, os rios mais
característicos da Amazônia. Os solos arenosos da bacia são
muito pobres em nutrientes, e os rios que nascem sobre eles
estão entre os mais puros da Terra, quimicamente falando. Suas
características químicas são muito semelhantes às da água
destilada. O mais famoso deles é o principal tributário do
Amazonas, o Rio Negro, que é também o segundo maior rio do mundo
em volume d'água. Por causa da cor, a água do Rio Negro poderia
passar por chá preto, mas é mais ácida que Coca Cola, sendo,
porém, mais saudável. Uma das características dessa águas é a
ausência de mosquitos, o que é um alívio para os pescadores.
O Igapó, como a mata inundada sazonalmente é conhecida, é uma
das características mais peculiares dos rios da Amazônia. Vastas
extensões de florestas são invadidas anualmente pelas águas dos
rios, ocupando uma área de pelo menos 100.000km², e talvez mais
50.000km², se sua extensão ao longo de milhares de pequenos
igarapés for considerada. Embora as matas inundadas correspondam
a apenas 2% do total da área de florestas da Amazônia, isso
representa uma área maior que a da Inglaterra.
Apesar de ficar inundada até 10m de profundidade durante 5 a 7
meses por ano, a vegetação do igapó é sempre exuberante. Além
das árvores, os animais, desde os diminutos invertebrados, até
os peixes, anfíbios, répteis e mamíferos também desenvolveram
incríveis adaptações para viverem nessas áreas inundadas. Como a
maioria das árvores da várzea frutifica durante as inundações,
para um grande número de espécies, principalmente os peixes, o
igapó é um pomar natural. Diferente de qualquer outra parte do
mundo, frutos e sementes são os principais alimentos de cerca de
200 espécies de peixes da Amazônia, que invadem os igapós todos
os anos.
Os rios amazônicos, com suas praias, restingas, igarapés, matas
inundadas, lagos de várzea e matupás (ilhas de vegetação
aquática), assim como o estuário, são colonizados por uma enorme
diversidade de plantas e animais. A bacia amazônica possui a
maior diversidade de peixes do mundo, cerca de 2.500 a 3.000
espécies.
Entre as espécies de peixes esportivos da bacia amazônica
encontram-se, apapás, aruanã, bicuda, cachorras, caparari e
surubim, dourada, jaú, piraíba, jatuarana e matrinxã, jurupoca,
piranhas, pirapitinga, pirarara, tambaqui, traíra e trairão,
pescadas, tucunarés e muitos outros. A pesca amadora, famosa
pela quantidade e variedade de peixes, geralmente é praticada
nos rios, lagos, igarapés, furos e nos igapós. Os rios mais
conhecidos e com infra-estrutura para a pesca amadora são os
rios Negro, Madeira e Uatumã.
Rios que formam a bacia:
1. Rio Amazonas
2. Rio Solimões
3. Rio Negro
4. Rio Xingu
5. Rio Tapajós
6. Rio Jurema
7. Rio Madeira
8. Rio Purus
9. Rio Branco
10. Rio Juruá
11. Rio Trombetas
12. Rio Uatumã
13. Rio Mamoré
Fonte: Ibama/PNDPA
TOPO
BACIA DO ARAGUAIA/TOCANTINS
A
bacia Araguaia-Tocantins drena 767.000km², sendo que 343.000km²
correspondem à bacia do rio Tocantins, 382.000km² ao Araguaia
(seu principal afluente) e 42.000km² ao Itacaiúnas (o maior
contribuinte do curso inferior). Limitado pelas bacia do
Paraná-Paraguai (Sul), do Xingu (Oeste), do São Francisco
(Leste) e Parnaíba (Nordeste), o rio Tocantins, o tributário
mais a sudeste da bacia amazônica, integra a paisagem do
Planalto Central, composta por cerrados que recobrem 76% da
bacia. O curso inferior do rio Tocantins e o rio Itacaiúnas são
cobertos por floresta amazônica. Entre estas duas grandes
regiões, a bacia cruza uma zona de transição, com ambientes
pré-amazônicos.
Os rios Tocantins e Araguaia são bastante diferentes. O rio
Tocantins é do tipo canalizado, com estreita planície de
inundação. Nasce no escudo brasileiro e flui em direção Norte
por cerca de 2.500km até desaguar no estuário do Amazonas (Baía
de Marajó), nas proximidades de Belém. Os principais formadores
do rio Tocantins são os rios Paranã e Maranhão. Este último
nasce na Reserva Biológica de águas Emendadas, no Distrito
Federal, onde as bacias amazônica, do Paraná e do São Francisco
se comunicam. Corredeiras e cachoeiras são os hábitats mais
comuns ao longo de seu curso: dominam a paisagem do curso
superior, encontram-se espalhadas no curso médio e formavam um
importante hábitat reprodutivo no curso inferior, hoje submerso
pela represa de Tucurui. As lagoas marginais são raras no rio
Tocantins, mas integram importantes planícies de inundação no
seu curso superior, na confluência com o Araguaia e logo abaixo
da represa de Tucurui.
O rio Araguaia nasce nos contrafortes da Serra dos Caiapós e
flui quase paralelo ao Tocantins por cerca de 2.115km. Apesar de
ser um rio de planície, apresenta quatro trechos de cachoeiras e
corredeiras. Nos trechos de planície, encontram-se a Ilha do
Bananal (a maior ilha fluvial do mundo) e inúmeras lagoas
marginais. Durante a época de cheia, o rio Araguaia e seus
principais afluentes, Rio das Mortes e Cristalino, formam uma
enorme planície inundada.
O regime hidrológico da bacia é bastante definido. No rio
Tocantins, a época de cheia estende-se de outubro a abril, com
pico em fevereiro, no curso superior, e março, nos cursos médio
e inferior. No Araguaia, as cheias são maiores e um mês
atrasadas em decorrência da inundação da planície do Bananal.
Ambos secam entre maio e setembro, com picos de seca em
setembro. Como os rios da bacia correm sobre solos pobres em
nutrientes, foram classificados como rios de águas claras.
Cerca de 300 espécies de peixes já foram identificadas na bacia.
Algumas são típicas da Amazônia central, embora espécies
dominantes naquela região, como o tambaqui, não ocorram no
Araguaia-Tocantins. No curso superior ocorrem algumas espécies
não amazônicas, das quais a tubarana (Salminus hilarii) é o
exemplo mais conhecido. A bacia Araguaia-Tocantins também
apresenta muitas espécies endêmicas, principalmente no curso
superior. De modo geral, há uma diminuição da abundância e
diversidade de peixes da foz em direção às cabeceiras,
relacionadas principalmente à ausência de áreas de inundação.
O rio Araguaia, entre Aruanã e Luiz Alves, recebe anualmente
cerca de 18.000 pescadores amadores. As principais espécies
capturadas pela pesca amadora são pacu-caranha, matrinxã,
pirarucu, piau-cabeça-gorda, piau-flamengo, pacu-manteiga,
pacu-prata, sardinha, corvina, traíra entre os peixes de escama;
e, filhote, cachara, barbado, pirarara, jaú, mandubé ou fidalgo,
surubim-chicote, bico-de-pato, mandi entre os peixes de couro. O
rio Tocantins também já é um destino de pescadores amadores. O
reservatório de Tucuruí, no baixo Tocantins, promove anualmente
o Torneio de Pesca da Amazônia - TOPAM e o reservatório de Serra
da Mesa, no alto Tocantins, também está atraindo grande número
de pescadores amadores. Outros reservatórios estão previstos
para a bacia, principalmente no rio Tocantins.
Rios que formam a bacia:
1. Rio Araguaia
2. Rio Tocantins
Fonte: Ibama/PNDPA
TOPO
BACIA DO PRATA
A
Bacia do Prata é a segunda maior bacia da América do Sul. É
formada pelos Rios Paraguai, Paraná e Uruguai que juntos drenam
uma área correspondente a 10,5% do território brasileiro, com
3,2 milhões de km² Das cabeceiras até a foz, atravessa quatro
países: Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai. No Brasil,
abrange os Estados Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas
Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
O Rio Paraguai é um dos mais importantes rios de planície do
Brasil, superado apenas pelo Amazonas. De sua nascente, na
chapada dos Parecis, nas proximidades da cidade de
Diamantino-MT, até sua confluência com o Rio Paraná, na
fronteira do Paraguai com a Argentina, ele percorre 2.621km,
sendo 1.683km em território brasileiro. Os principais
tributários do rio Paraguai são os rios Jauru, Cuiabá, São
Lourenço, Piquiri, Taquari, Negro, Miranda, Aquidauana, Sepotuba
e Apa. A Bacia do alto Paraguai possui uma área de 496.000km²,
sendo que 396.800km² pertencem ao Brasil e 99.000km² ao Paraguai
e Bolívia. Da porção brasileira, 207.249km² pertencem ao Estado
de Mato Grosso do Sul e 189.551km² a Mato Grosso. Desta área,
64% corresponde a planaltos e 36% ao Pantanal Matogrossense, uma
extensa planície sedimentar, levemente ondulada, situada na
região Centro-Oeste do Brasil. Com uma área de cerca de 17
milhões de Ha, o Pantanal abrange, além do Estado de Mato Grosso
do Sul e parte do Mato Grosso, áreas menores na Bolívia e
Paraguai. Ao norte, leste e sul, o Pantanal é limitado pelas
terras altas dos planaltos Central e Meridional e a oeste pelo
rio Paraguai, que, junto com 132 tributários principais, drena
todo o sistema. Os períodos de seca (maio a setembro) e
enchentes (outubro a março) podem ser algumas vezes muito
severos. A superfície da área inundada pode variar de 10.000 a
70.000km². O clima é predominantemente tropical, com umidade
relativa entre 60 a 80%, temperatura média anual de 25°C,
podendo durante curtos períodos, apresentar temperaturas
próximas a 0°C. Janeiro é o mês mais chuvoso.
As cheias do Pantanal ocorrem em conseqüência das chuvas locais
e estão relacionadas a problemas de drenagem, que dificultam o
escoamento das águas. Junto às margens do Rio Paraguai, as
cheias formam um lençol contínuo que chega a atingir 4m de
profundidade; mais para leste, para o interior do Pantanal, as
inundações se limitam às áreas mais baixas do terreno chamadas
baías, sendo que entre uma baía e outra há escoamento de água
através de cursos denominados vazantes que podem ter muitos
quilômetros de extensão. As vazantes de caráter permanente, que
ligam baías contíguas, são conhecidas como corixos. Estas terras
mais baixas estão separadas por elevações, denominadas
cordilheiras que não ultrapassam 6m de altura. Existem também as
salinas, depressões sem ligação com os rios, que armazenam água
de chuva, salobra, e não possuem peixes. A vegetação da região é
conhecida como Complexo Pantanal por conter diversas formações
vegetais: matas, cerrados, campos limpos e vegetação aquática. O
Pantanal é famoso pela grande quantidade e diversidade de
animais, principalmente animais aquáticos (aves pernaltas e
mergulhadoras, jacarés e peixes). As espécies mais capturadas
pelos pescadores amadores são: pacu, pintado, cachara, piranha,
piavuçu, barbado, dourado, jaú, curimbatá, piraputanga,
jurupensém, jurupoca, e tucunaré (peixe da bacia amazônica
introduzido em algumas áreas do Pantanal).
Em virtude da abundância e diversidade de peixes, a pesca sempre
foi uma atividade econômica tradicional no Pantanal. A partir de
meados da década de 80, o setor turístico se estruturou para
oferecer transporte, hospedagem e serviços especializados para o
pescador amador, que se tornou seu principal cliente. Cerca de
56.000 pescadores amadores, principalmente de São Paulo, Paraná
e Minas Gerais, visitaram o Mato Grosso do Sul em 1998. Dados do
mesmo período indicam que a maior captura ocorreu nos meses de
outubro a novembro (época de cheia), nos rios Paraguai, Miranda,
Taquari e Aquidauana (Catella et al., 1996).
O Rio Paraná, principal formador da Bacia do Prata, é o décimo
maior do mundo em descarga, e o quarto em área de drenagem,
drenando todo o centro-sul da América do Sul, até a Serra do
Mar, nas proximidades da costa atlântica. De sua nascente, no
planalto central, até a foz, no estuário do Prata, percorre
4.695km. Em território brasileiro, drena uma área de 891.000km².
Os principais tributários do Rio Paraná são o Grande e o
Paranaíba (formadores), Tietê, Paranapanema e Iguaçu.
Na Bacia do Paraná, em seu trecho brasileiro, encontra-se a
maior densidade demográfica do País. As águas da Bacia são
utilizadas para consumo humano e, também, para a indústria e
irrigação. Atualmente, grandes extensões dos principais
afluentes do trecho superior do Rio Paraná já são consideradas
impróprias para uso humano e para a vida aquática, em virtude da
poluição orgânica e inorgânica (efluentes industriais e
agrotóxicos) e da eliminação da mata ciliar. De certa forma, as
barragens ao longo dos rios têm contribuído para a
auto-depuração e retenção de poluentes, sendo constatado
melhoria da qualidade da água, a jusante das barragens.
Entre as principais bacias hidrográficas da América do Sul, a
Bacia do Paraná, é a que sofreu maior número de represamentos
para geração de energia. Existem mais de 130 barragens na bacia,
considerando apenas aquelas com alturas superiores a 10m, que
transformaram o Rio Paraná e seus principais tributários
(Grande, Paranaíba, Tietê, Paranapanema e Iguaçu) em uma
sucessão de lagos. Dos 809km originais do rio somente 230km
ainda são de água corrente. Com a construção de Ilha Grande, a
última porção lótica do rio irá desaparecer, e os últimos 30km,
ainda em território brasileiro, abaixo do reservatório de
Itaipu, também irá desaparecer com a construção do reservatório
de Corpus (Argentina/Paraguai).
O último trecho não represado do Rio Paraná apresenta um amplo
canal, ora com uma extensa planície fluvial com pequenas ilhas
(mais de 300), ora com grandes ilhas e uma planície alagável
mais restrita. A planície chega a 20km de largura, apresentando
numerosos canais secundários e lagoas. As flutuações dos níveis
da água, embora mais prolongadas pelos represamentos, ainda
mantêm a sazonalidade e uma amplitude média de cinco metros.
Este remanescente de várzea tem importância fundamental na
manutenção das espécies de peixes já eliminadas dos trechos
superiores da bacia, especialmente espécies de grande porte que
realizam extensas migrações reprodutivas. Cerca de 170 espécies
de peixes são encontradas neste trecho do rio Paraná.
O Rio Uruguai nasce na divisa do Rio Grande do Sul com Santa
Catarina, na junção dos rios Canoas e Pelotas, e possui cerca de
1500km de extensão. O trecho de 625kmm entre Borba e Uruguaiana
é navegável. A pesca amadora ainda não é muito praticada na
bacia, apesar do grande potencial.
Rios que formam a bacia:
1. Rio Uruguai
2. Rio Paraguai
3. Rio Iguaçu
4. Rio Paraná
5. Rio Tietê
6. Rio Paranapanema
7. Rio Grande
8. Rio Parnaíba
9. Rio Taquari
10. Rio Sepotuba
Fonte: Ibama/PNDPA
TOPO
BACIAS DO ATLÂNTICO SUL
Ao longo do
litoral brasileiro, existem pequenas e médias bacias
hidrográficas denominadas bacias do Atlântico Sul divididas em
três trechos: Norte-Nordeste, Leste e Sudeste-Sul.
O trecho Norte-Nordeste é formado por rios localizados ao norte
do rio Amazonas e por aqueles situados entre a foz do rio
Tocantins e a foz do rio São Francisco. Compreende 10
sub-bacias, iniciando pela sub-bacia do rio Oiapoque, no extremo
Norte, e passando pelo rio Araguari ambos no Estado do Amapá.
Compreende também as áreas de drenagem dos rios Guamá, Pindaré,
Parnaíba, Jaguaribe, Açu e Paraíba. No rio Calçoene, Amapá, o
tarpão (pirapema ou camurupim) ocorre em grandes quantidades
dentro dos lagos, gerando condições especiais para a pesca
esportiva dessa espécie.
O trecho Leste corresponde aos rios costeiros localizados entre
a foz do rio São Francisco e a divisa do Rio de Janeiro com São
Paulo. Também compreende 10 sub-bacias, abrangendo as áreas de
drenagem dos seguintes rios: rio das Contas, Jequitinhonha,
Paraíba do Sul e rio Doce.
A partir da divisa do Rio de Janeiro com São Paulo começa o
trecho Sudeste-Sul, com 10 sub-bacias: rios Ribeira do Iguape,
Itajaí, Mampituba, Jacui, Taquari, Jaguarão e a bacia do arroio
Chuí, incluindo a lagoa dos Patos e a lagoa Mirim, no Rio Grande
do Sul.
Nos trechos Leste e Sudeste-Sul, a truta arco-íris foi
introduzida nos rios que despencam das regiões serranas (Serra
do Mar, Serra da Mantiqueira, Serra da Bocaina, Campos de Cima
da Serra no Rio Grande do Sul), apresentando uma ótima
adaptação. Esses rios correm em terrenos acidentados e
pedregosos, possuem águas frias, bastante oxigenadas e livres de
poluição e são excelentes áreas para a pesca com mosca (fly
fishing). Vale ressaltar, que a região dos Campos de Cima da
Serra e a região correspondente em Santa Catarina, dada às
condições geográficas, podem ser consideradas a "Patagônia"
brasileira. Nessa região os rios não são encaixados, o que
permite a pesca de mosca em todas as suas técnicas.
Rios que formam a bacia:
1. Rio Oiapoque
2. Gurupi
3. Parnaíba
4. Jequitinhonha
5. Doce
Fonte: Ibama/PNDPA
TOPO
BACIA DO SÃO FRANCISCO
A Bacia do Rio São Francisco
é a terceira bacia hidrográfica do Brasil e a única totalmente
brasileira. Drena uma área de 640.000km² e ocupa 8% do
território nacional. Cerca de 83% da bacia encontra-se nos
Estados de Minas Gerais e Bahia, 16% em Pernambuco, Sergipe e
Alagoas e 1% em Goiás e Distrito Federal. Entre as cabeceiras,
na Serra da Canastra, em Minas Gerais, e a foz, no oceano
Atlântico, localizada entre os Estados de Sergipe e Alagoas, o
rio São Francisco percorre cerca de 2.700km. Sua calha está
situada na depressão são-franciscana, entre os terrenos
cristalinos a leste (serra do Espinhaço, Chapada Diamantina e
Planalto Nordeste) e os planaltos sedimentares do Espigão Mestre
a oeste, conferindo diferenças quanto aos tipos de águas dos
afluentes. Os rios da margem direita, que nascem nos terrenos
cristalinos, possuem águas mais claras, enquanto os da margem
esquerda, terrenos sedimentares, são mais barrentos.
O Rio São Francisco tem 36 tributários de porte significativo,
dos quais apenas 19 são perenes. Os principais contribuintes são
os da margem esquerda, rios Paracatu, Urucuia, Carinhanha,
Corrente e Grande, que fornecem cerca de 70% das águas em um
percurso de apenas 700km. Na margem direita, os principais
tributários são os rios Paraopeba, das Velhas, Jequitaí e Verde
Grande. A Bacia do São Francisco é dividida em quatro regiões:
Alto São Francisco, das nascentes até Pirapora-MG; Médio São
Francisco, entre Pirapora e Remanso-BA; Submédio São Francisco,
de Remanso até a Cachoeira de Paulo Afonso; e, Baixo São
Francisco, de Paulo Afonso até a foz no oceano Atlântico.
Desde as nascentes e ao longo de seus rios, a Bacia do São
Francisco vem sofrendo degradações com sérios impactos sobre as
águas e, consequentemente, sobre os peixes. A maioria dos
povoados não possui nenhum tratamento de esgotos domésticos e
industriais, lançando-os diretamente nos rios. Os despejos de
garimpos, mineradoras e indústrias aumentam a carga de metais
pesados, incluindo o mercúrio, em níveis acima do permitido. Na
cabeceira principal do Rio São Francisco, o maior problema é o
desmatamento para produção de carvão vegetal utilizado pela
indústria siderúgica de Belo Horizonte, o que tem reduzido as
matas ciliares a 4% da área original. O uso intensivo de
fertilizantes e defensivos agrícolas também tem contribuído para
a poluição das águas. Além disso, os garimpos, a irrigação e as
barragens hidrelétricas são responsáveis pelo desvio do leito
dos rios, redução da vazão, alteração da intensidade e época das
enchentes, transformação de rios em lagos etc. com impactos
diretos sobre os recursos pesqueiros.
As barragens hidrelétricas e para irrigação transformaram o rio
São Francisco e alguns de seus tributários. Atualmente, o rio
São Francisco possui apenas dois trechos de águas correntes:
1.100km entre as barragens de Três Marias e Sobradinho, com
vários tributários de grande porte e inúmeras lagoas marginais;
e 280km da barragem de Sobradinho até a entrada do reservatório
de Itaparica. Daí para baixo, transforma-se em uma cascata de
reservatórios da Companhia Hidrelétrica do São Francisco-CHESF
(Itaparica, Complexo Moxotó com Paulo Afonso I, II, III, IV e
Xingó). Estes dois trechos e os grandes tributários, onde
existem as lagoas marginais, ainda permitem a existência de
espécies de peixes migradores, importantes para as pescarias
comerciais e esportivas.
Já foram identificadas 152 espécies de peixes nativos da bacia.
Entre as espécies nativas mais importantes nos rios e lagoas
naturais da bacia destacam-se as migradoras, curimatã-pacu
Prochilodus marggravii, dourado Salminus brasiliensis, surubim
Pseudoplatystoma corruscans, matrinxã Brycon lundii,
mandi-amarelo Pimelodus maculatus, mandi-açu Duopalatinus
emarginatus, pirá Conostome conirostris e piau-verdadeiro
Leporinus elongatus, e as sedentárias, pacamão Lophiosilurus
alexandri, piau-branco Schizodon knerii, traíra Hoplias
malabaricus, corvinas Pachyurus francisci e P. squamipinnis,
piranha-vermelha Pygocentrus nattereri e piranha-preta
Serrasalmus piraya. Muitos gêneros de peixes encontrados na
bacia do São Francisco são comuns às bacias amazônica e do
Prata. O dourado é um pouco maior que a espécie da bacia do
Prata, alcançando 30kg e 1,50m de comprimento. Os pintados são
famosos pelo tamanho que atingem, mais de 100kg, embora peixes
desse porte não sejam muito comuns.
Vale ressaltar que muitas espécies de outras bacias
hidrográficas, ou mesmo espécies exóticas, já foram introduzidas
na bacia, quando do povoamento de seus reservatórios e açudes.
Entre elas, encontram-se os tucunarés Cichla spp., introduzidos
nos reservatórios de Três Marias e Itaparica, em 1982 e 1989,
respectivamente, mostrando aumento acentuado de ano para ano; a
pescada Plagioscion sp., introduzida em Sobradinho pelo DNOCS no
final da década de 70 e, posteriormente, também em Itaparica,
com abundância crescente com o passar dos anos, além de diversas
outras espécies introduzidas no sistema a partir de experimentos
de cultivo como carpas, tilápias, tambaqui Colossoma macropomum,
pacu-caranha Piaractus mesopotamicus, apaiari Astronotus
ocellatus e o bagre-africano Clarias lazera.
Apesar dos sérios problemas ambientais que se observam na bacia
do São Francisco, algumas áreas ainda oferecem condições para
uma boa pescaria. Dourados, surubins, matrinxãs, piaparas,
curvinas, traíras, mandis, pirá (um bagre endêmico da bacia),
tucunarés (introduzidos em alguns reservatórios e no baixo São
Francisco), e outras espécies introduzidas e bem sucedidas podem
ser capturadas em suas águas, freqüentadas principalmente por
pescadores de Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Distrito Federal.
Fonte: Ibama/PNDPA
TOPO
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