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Motores de Popa Fatos e Mitos
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Fatos e Mitos em Motores de Popa

 “Todo motor de popa que foi fabricado para o mercado americano precisa de termostato, já que a temperatura lá é muito mais baixa que a nossa, tornando-se desnecessário o uso do termostato no Brasil que é um país de clima quente”.

Explicação: A função do termostato é manter a temperatura do motor em uma faixa determinada (definida pelo fabricante), independente da temperatura externa. O que acontece de diferente entre um motor usado no EUA e outro aqui no Brasil, é que o de lá vai demorar mais tempo para atingir a temperatura ideal de funcionamento do que o motor daqui, mas a temperatura interna será sempre a mesma, pois o termostato, que é uma válvula de alívio se abrirá de acordo com a temperatura da água interna do motor.

“Pode-se ligar o motor, mesmo que por poucos segundos, sem ligar a água”.

Explicação: O rotor da bomba d’água e de borracha e é instalado dentro de uma caixa de aço, sem água, o atrito da borracha irá danificar o rotor, quebrando as pontas das aletas do rotor, que irão comprometer a refrigeração do motor ou até entupir o sistema de refrigeração. Se um motor funciona a 1.300RPM, em 1 segundo girará 21 vezes.

“Pode-se dar chupeta na bateria de um motor de popa”.

Explicação: Os motores de popa, em sua grande maioria, são dotados de um componente chamado Regulador e Retificador de voltagem, a função dele, como o nome já diz, é retificar a voltagem de alternada para contínua e regular para 12 volts. Acontece que se a bateria estiver fraca, o regulador terá que “trabalhar” muito para repor a voltagem da bateria, e o resultado da retificação e regulagem da voltagem é transformada em calor, por isso o Regulador Retificador é refrigerado a água, mas não o suficiente para dissipar todo o calor, e o resultado é a queima dos diodos internos e o isolamento da carcaça,  que poderá acarretar danos ao  estator, posteriormente ao módulo de ignição...

“O motor está falhando, deve ser um cisco, então se acelerar o motor em ponto morto, o cisco sai pela descarga”.

Explicação: Os pequenos entupimentos são causados por depósito de sedimentos da reação da gasolina velha com a cuba do carburador, são partículas sólidas e estas não irão desobstruir com a aceleração. Se o motor estiver com a linha de combustível pressurizada não há motivo para acelerar o motor em ponto morto. Um técnico pode acelerar o motor, pois estará verificado a aceleração e o retorno desta, caso o motor demore a votar a ficar em lenta significa que o motor está trabalhando pobre ou existe uma entrada falsa de ar nos carburadores.

“Não se deve lavar o motor por dentro, pois a água pode entrar no cilindro”.

Explicação: O motor precisa de ar para fazer a mistura, este ar é “respirado” pelo motor do ambiente em que estiver sendo usado, quando usado em água salgada o ar absorvido contem partículas de água e sal, e a água quando entrar em contato com o bloco quente do motor irá evaporar, mas o sal não, quando o sal estiver em ambiente úmido e quente e em contato com o bloco, velas e parafusos do motor, irá provocar uma oxidação. Para evitar que isso ocorra é recomendável lavar o motor nos cabeçotes, nas velas e na base do motor com água doce e principalmente com baixa pressão. Não lave o motor logo após desligá-lo, evitando assim um choque térmico no motor. Após lavá-lo, aplique um spray à base óleo orgânico fino ou silicone, para proteger o motor e seus componentes.

“Deve-se sempre adicionar óleo dois tempos na gasolina, independente do tanque de óleo do motor”.

Explicação: Os sistemas de lubrificação automática se estiverem funcionado corretamente, irá misturar o óleo na gasolina na proporção de 1:50 ~ 1:60. Qualquer excesso de óleo ira contribuir para a carbonização do motor, e com isso reduzir a vida útil do motor. Se o sistema não estiver operando corretamente, primeiramente conserte o defeito e logo após o reparo adicione 1:50 no primeiro tanque. Para garantir se o reparo deu certo, assim não colocando em risco a lubrificação do motor.

“O que o meu marinheiro fala não se discute”.

Bem... Neste caso eu poderia relatar alguns casos, mas não quero denegrir a imagem dos marinheiros. O marinheiro é pessoa de confiança do patrão, a quem é atribuída à responsabilidade de conduzir embarcações de valores astronômicos. Cabe ao marinheiro preservar o patrimônio do patrão, mantendo limpo e em condições de uso. No caso de reparo, o marinheiro pode sugerir ao patrão a oficina ou o técnico, mas cabe ao patrão a responsabilidade da contratação do serviço. Um bom patrão sabe antes de tudo escolher quem irá trabalhar para ele, sabe compreender a informação dada pelo marinheiro.

Estes são alguns dos mitos que tenho escutado. Há muito mais, mas espero que a credibilidade dos mitos seja substituída por informações precisas, assim a credibilidade na durabilidade de um motor de popa não será um mito, e sim um fato!

Por Ricardo Paragon  Rio Boat Show 2005

  

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