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Itaipu premia quem captura peixes marcados com a tag do projeto “Conhecendo a Migração dos Peixes”

A Divisão de Reservatórios, pertencente à Diretoria de Coordenação da ITAIPU, continua executando o projeto “Conhecendo a Migração dos Peixes”, iniciativa que visa melhor conhecer a rota migratória das espécies que se reproduzem na Estação de Aquicultura da Entidade.

Há mais de 30 anos, esta estação especializada da Itaipu cria peixes nativos. Uma vez que esses animais atingem um tamanho adequado, eles são soltos em ecossistemas naturais para contribuir na recomposição das populações de peixes em seu ambiente original. O referido projeto inclui a marcação de um percentual desses indivíduos com pequenas etiquetas, antes de sua reintrodução no reservatório da Itaipu e no rio Paraná.

Os pescadores que participam ativamente do projeto têm a oportunidade de receber um brinde pelas informações prestadas. Até o momento, em 2024, duas marcas já foram recuperadas no lado paraguaio.

Os pescadores que contataram a Divisão de Reservatórios receberam um presente após fornecerem informações detalhadas sobre os peixes capturados. Eles poderiam escolher entre instrumentos de pesca, roupas ou outros acessórios.

Os peixes que não atenderem às medidas mínimas de pesca poderão ser fotografados com a etiqueta antes de serem devolvidos à água. Para mais informações, os interessados devem entrar em contato com a Itaipu via WhatsApp pelos telefones +595974 266500 (Paraguai) ou +558006 452002 (Brasil).

A colaboração dos pescadores locais é essencial para o sucesso do projeto. Quando são capturados peixes marcados, as informações fornecidas (incluindo o número da etiqueta e o peso ou tamanho do peixe) contribuem significativamente para a compreensão da adaptação do peixe ao ambiente e para a melhoria dos programas de povoamento.

O Projeto:
O projeto tem apoio da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e da Entidade Binacional Yacyreta (Argentina e Paraguai).

A comunicação é importante porque os marcadores servem para revelar a rota de deslocamento dos peixes migradores e, principalmente, a eficiência do Canal da Piracema de Itaipu. Com a análise dos dados, a partir das informações repassadas pelos pescadores, será possível ajustar ou promover novas ações que visem ao fortalecimento e à preservação das espécies.

São três os principais tipos de marcadores. O mais simples, de plástico, chamado Dart Tag, tem cores azul e vermelha e mede aproximadamente 10 centímetros. Ele é facilmente identificado porque está inserido na parte externa do peixe. No marcador, constam apenas o número de identificação e o telefone para contato. Mais de dois mil peixes foram marcados com Dart Tag somente neste ano.

O outro marcador que pode ser encontrado na região é o Pit tag, de vidro e com cerca de 3 centímetros, inserido dentro do peixe. Esse tipo de marcador, cujo projeto é desenvolvido em parceria com a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus de Toledo, reflete o sinal emitido por antenas instaladas ao longo do lago, idêntico aos dispositivos de segurança fixados, por exemplo, em roupas de lojas de departamento.

O terceiro marcador, mais sofisticado, é chamado de rádio transmissor, por emitir sinais de radiofrequência captados no Canal da Piracema. Ele é produzido em resina plástica e foi introduzido no abdômen dos peixes, com um fio visível na parte externa.

Histórico
Responsável pelo programa na Itaipu, Sandro Alves Heil, da MARR.CD, diz que o trabalho de marcação de peixes começou em 1996, antes mesmo da formação do Canal da Piracema, em 2002. O objetivo inicial era conhecer a rota e o deslocamento das espécies de peixes migradores.

Hoje, a marcação também serve como ferramenta para avaliar o sistema de transposição de Itaipu, que é o maior em extensão e desnível do mundo. “Estamos localizados em uma região neotropical, com inúmeras espécies de peixes migradores. Aproximadamente 17 delas são consideradas migradores de longa distância”, comentou Heil.

Entre as espécies de peixes migradores de maior frequência na região estão o dourado, a piapara, o pintado, a curimba, o piau e o pacu. A estimativa do setor é que cerca de 850 pescadores profissionais atuam no lago – sem contar os pescadores esportivos. “Para que esse projeto caminhe, a gente precisa do apoio do pescador”, reforçou.

Sandro Heil acrescenta que o principal objetivo do canal é a troca de material genético das populações que foram isoladas pela barragem – à jusante e à montante. “Para melhorar determinada espécie, ou manter o seu vigor, você precisa colocar indivíduos de outra população nesse grupo. Por isso é importante que o peixe tenha livre trânsito”, explicou.

O responsável pelo programa lembra de uma história exemplar. Uma piapara que recebeu a marca no canal foi recapturada no Rio do Peixe, no Estado de São Paulo. Ou seja, migrou aproximadamente 650 km, superando o Canal de Itaipu, o reservatório, a planície do Rio Paraná, subindo a escada de peixes da hidrelétrica de Primavera. Nadou até um tributário do reservatório da usina, tudo isso em três meses. “O melhor é que isso não é história de pescador”, brincou.

O que é?
A piracema, período de desova dos peixes reofílicos (que realizam migração reprodutiva), geralmente ocorre de novembro a fevereiro. O Canal da Piracema de Itaipu, com 10 quilômetros de extensão, foi projetado para que os peixes possam vencer o desnível de 120 metros entre o Rio Paraná e o reservatório.

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