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Bacias Hidrogr√°ficas

O Brasil pode ser dividido em 5 locais de pesca. Aqui você encontra uma breve descrição

Bacia Amaz√īnica¬† Bacia do Araguaia¬† Bacia do Prata¬† Bacia do Atl√Ęntico Sul¬† Bacia do S√£o Francisco

b-amazonica BACIA AMAZ√ĒNICA

A bacia amaz√īnica √© a maior bacia hidrogr√°fica do mundo, com uma drenagem de 5,8 milh√Ķes de km¬≤, sendo 3,9 milh√Ķes no Brasil. Suas nascentes est√£o localizadas na Venezuela, Col√īmbia, Peru e Bol√≠via. No Brasil, abrange os Estados do Amazonas, Par√°, Amap√°, Acre, Roraima Rond√īnia e Mato Grosso. Como √© atravessado pela linha do Equador, o Rio Amazonas apresenta afluentes nos dois hemisf√©rios do Planeta. Entre os principais afluentes da margem esquerda encontram-se o Japur√°, o Negro e o Trombetas; na margem direita, o Juru√°, o Purus, o Madeira, o Xingu e o Tapaj√≥s.

A Bacia Amaz√īnica √© fortemente influenciada pela pronunciada sazonalidade das chuvas. As chuvas come√ßam entre novembro-dezembro na regi√£o ao sul do Equador e uns meses mais tarde ao norte do Equador e se estendem por 4 a 5 meses.

Com 6.500km de extens√£o, o Rio Amazonas √© respons√°vel por 20% da √°gua doce despejada anualmente nos oceanos. Embora seja de longe o maior rio do mundo em volume de √°gua, geralmente n√£o √© considerado o mais longo. No entanto, considerando-se que, durante o per√≠odo de cheia, ele se estende mar adentro, provavelmente √© tamb√©m o mais longo. O Rio Amazonas √© um rio de plan√≠cie, possuindo baixa declividade. Sua largura m√©dia √© de 4 a 5km, mas, em alguns trechos, alcan√ßa mais de 50km. Navios oce√Ęnicos de grande porte podem navegar at√© Manaus, capital do Estado do Amazonas, enquanto embarca√ß√Ķes menores com at√© seis metros de calado, podem alcan√ßar a cidade de Iquitos, no Peru, distante 3.700km do oceano Atl√Ęntico.

Entre os afluentes do Amazonas encontram-se rios de √°guas barrentas (ou brancas, como as popula√ß√Ķes locais se referem a eles), de √°guas claras e de √°guas pretas. Os rios de √°guas barrentas, como o Madeira e o pr√≥prio Amazonas, t√™m essa cor por causa dos sedimentos, ricos em nutrientes, carreados rio abaixo desde as montanhas andinas. Por esse motivo s√£o os rios que apresentam maior produtividade.

Os rios de √°guas claras, como os rios Xingu, Tapaj√≥s e o Trombetas, t√™m as nascentes nos planaltos do Brasil e das Guianas. Os trechos m√©dio e alto desses rios possuem muitas corredeiras e quedas d’√°gua. Como drenam √°reas enormes e muito erodidas, suas √°guas s√£o relativamente transparentes e alcalinas. Nesses rios, as pescarias com iscas artificiais s√£o bastante interessantes, porque √© poss√≠vel observar os peixes atacando as iscas.

A grande quantidade de areia depositada na plan√≠cie amaz√īnica deu origem aos rios de √°guas pretas, os rios mais caracter√≠sticos da Amaz√īnia. Os solos arenosos da bacia s√£o muito pobres em nutrientes, e os rios que nascem sobre eles est√£o entre os mais puros da Terra, quimicamente falando. Suas caracter√≠sticas qu√≠micas s√£o muito semelhantes √†s da √°gua destilada. O mais famoso deles √© o principal tribut√°rio do Amazonas, o Rio Negro, que √© tamb√©m o segundo maior rio do mundo em volume d’√°gua. Por causa da cor, a √°gua do Rio Negro poderia passar por ch√° preto, mas √© mais √°cida que Coca Cola, sendo, por√©m, mais saud√°vel. Uma das caracter√≠sticas dessa √°guas √© a aus√™ncia de mosquitos, o que √© um al√≠vio para os pescadores.

O Igap√≥, como a mata inundada sazonalmente √© conhecida, √© uma das caracter√≠sticas mais peculiares dos rios da Amaz√īnia. Vastas extens√Ķes de florestas s√£o invadidas anualmente pelas √°guas dos rios, ocupando uma √°rea de pelo menos 100.000km¬≤, e talvez mais 50.000km¬≤, se sua extens√£o ao longo de milhares de pequenos igarap√©s for considerada. Embora as matas inundadas correspondam a apenas 2% do total da √°rea de florestas da Amaz√īnia, isso representa uma √°rea maior que a da Inglaterra.

Apesar de ficar inundada at√© 10m de profundidade durante 5 a 7 meses por ano, a vegeta√ß√£o do igap√≥ √© sempre exuberante. Al√©m das √°rvores, os animais, desde os diminutos invertebrados, at√© os peixes, anf√≠bios, r√©pteis e mam√≠feros tamb√©m desenvolveram incr√≠veis adapta√ß√Ķes para viverem nessas √°reas inundadas. Como a maioria das √°rvores da v√°rzea frutifica durante as inunda√ß√Ķes, para um grande n√ļmero de esp√©cies, principalmente os peixes, o igap√≥ √© um pomar natural. Diferente de qualquer outra parte do mundo, frutos e sementes s√£o os principais alimentos de cerca de 200 esp√©cies de peixes da Amaz√īnia, que invadem os igap√≥s todos os anos.

Os rios amaz√īnicos, com suas praias, restingas, igarap√©s, matas inundadas, lagos de v√°rzea e matup√°s (ilhas de vegeta√ß√£o aqu√°tica), assim como o estu√°rio, s√£o colonizados por uma enorme diversidade de plantas e animais. A bacia amaz√īnica possui a maior diversidade de peixes do mundo, cerca de 2.500 a 3.000 esp√©cies.

Entre as esp√©cies de peixes esportivos da bacia amaz√īnica encontram-se, apap√°s, aruan√£, bicuda, cachorras, caparari e surubim, dourada, ja√ļ, pira√≠ba, jatuarana e matrinx√£, jurupoca, piranhas, pirapitinga, pirarara, tambaqui, tra√≠ra e trair√£o, pescadas, tucunar√©s e muitos outros. A pesca amadora, famosa pela quantidade e variedade de peixes, geralmente √© praticada nos rios, lagos, igarap√©s, furos e nos igap√≥s. Os rios mais conhecidos e com infra-estrutura para a pesca amadora s√£o os rios Negro, Madeira e Uatum√£

Rios que formam a bacia:

  1. Rio Amazonas
  2. Rio Solim√Ķes
  3. Rio Negro
  4. Rio Xingu
  5. Rio Tapajós
  6. Rio Jurema
  7. Rio Purus
  8. Rio Branco
  9. Rio Juru√°
  10. Rio Trombetas
  11. Rio Uatum√£
  12. Rio Mamoré
  13. Rio Guaporé

b-tocantins-araguaiaBACIA DO ARAGUAIA/TOCANTINS

A bacia Araguaia-Tocantins drena 767.000km¬≤, sendo que 343.000km¬≤ correspondem √† bacia do rio Tocantins, 382.000km¬≤ ao Araguaia (seu principal afluente) e 42.000km¬≤ ao Itacai√ļnas (o maior contribuinte do curso inferior). Limitado pelas bacia do Paran√°-Paraguai (Sul), do Xingu (Oeste), do S√£o Francisco (Leste) e Parna√≠ba (Nordeste), o rio Tocantins, o tribut√°rio mais a sudeste da bacia amaz√īnica, integra a paisagem do Planalto Central, composta por cerrados que recobrem 76% da bacia. O curso inferior do rio Tocantins e o rio Itacai√ļnas s√£o cobertos por floresta amaz√īnica. Entre estas duas grandes regi√Ķes, a bacia cruza uma zona de transi√ß√£o, com ambientes pr√©-amaz√īnicos.

Os rios Tocantins e Araguaia s√£o bastante diferentes. O rio Tocantins √© do tipo canalizado, com estreita plan√≠cie de inunda√ß√£o. Nasce no escudo brasileiro e flui em dire√ß√£o Norte por cerca de 2.500km at√© desaguar no estu√°rio do Amazonas (Ba√≠a de Maraj√≥), nas proximidades de Bel√©m. Os principais formadores do rio Tocantins s√£o os rios Paran√£ e Maranh√£o. Este √ļltimo nasce na Reserva Biol√≥gica de √°guas Emendadas, no Distrito Federal, onde as bacias amaz√īnica, do Paran√° e do S√£o Francisco se comunicam. Corredeiras e cachoeiras s√£o os h√°bitats mais comuns ao longo de seu curso: dominam a paisagem do curso superior, encontram-se espalhadas no curso m√©dio e formavam um importante h√°bitat reprodutivo no curso inferior, hoje submerso pela represa de Tucurui. As lagoas marginais s√£o raras no rio Tocantins, mas integram importantes plan√≠cies de inunda√ß√£o no seu curso superior, na conflu√™ncia com o Araguaia e logo abaixo da represa de Tucurui.

O rio Araguaia nasce nos contrafortes da Serra dos Caiap√≥s e flui quase paralelo ao Tocantins por cerca de 2.115km. Apesar de ser um rio de plan√≠cie, apresenta quatro trechos de cachoeiras e corredeiras. Nos trechos de plan√≠cie, encontram-se a Ilha do Bananal (a maior ilha fluvial do mundo) e in√ļmeras lagoas marginais. Durante a √©poca de cheia, o rio Araguaia e seus principais afluentes, Rio das Mortes e Cristalino, formam uma enorme plan√≠cie inundada.

O regime hidrológico da bacia é bastante definido. No rio Tocantins, a época de cheia estende-se de outubro a abril, com pico em fevereiro, no curso superior, e março, nos cursos médio e inferior. No Araguaia, as cheias são maiores e um mês atrasadas em decorrência da inundação da planície do Bananal. Ambos secam entre maio e setembro, com picos de seca em setembro. Como os rios da bacia correm sobre solos pobres em nutrientes, foram classificados como rios de águas claras.

Cerca de 300 esp√©cies de peixes j√° foram identificadas na bacia. Algumas s√£o t√≠picas da Amaz√īnia central, embora esp√©cies dominantes naquela regi√£o, como o tambaqui, n√£o ocorram no Araguaia-Tocantins. No curso superior ocorrem algumas esp√©cies n√£o amaz√īnicas, das quais a tubarana (Salminus hilarii) √© o exemplo mais conhecido. A bacia Araguaia-Tocantins tamb√©m apresenta muitas esp√©cies end√™micas, principalmente no curso superior. De modo geral, h√° uma diminui√ß√£o da abund√Ęncia e diversidade de peixes da foz em dire√ß√£o √†s cabeceiras, relacionadas principalmente √† aus√™ncia de √°reas de inunda√ß√£o.

O rio Araguaia, entre Aruan√£ e Luiz Alves, recebe anualmente cerca de 18.000 pescadores amadores. As principais esp√©cies capturadas pela pesca amadora s√£o pacu-caranha, matrinx√£, pirarucu, piau-cabe√ßa-gorda, piau-flamengo, pacu-manteiga, pacu-prata, sardinha, corvina, tra√≠ra entre os peixes de escama; e, filhote, cachara, barbado, pirarara, ja√ļ, mandub√© ou fidalgo, surubim-chicote, bico-de-pato, mandi entre os peixes de couro. O rio Tocantins tamb√©m j√° √© um destino de pescadores amadores. O reservat√≥rio de Tucuru√≠, no baixo Tocantins, promove anualmente o Torneio de Pesca da Amaz√īnia – TOPAM e o reservat√≥rio de Serra da Mesa, no alto Tocantins, tamb√©m est√° atraindo grande n√ļmero de pescadores amadores. Outros reservat√≥rios est√£o previstos para a bacia, principalmente no rio Tocantins.

Rios que formam a bacia:

  1. Rio Araguaia
  2. Rio Tocantins

b-prata BACIA DO PRATA

A Bacia do Prata √© a segunda maior bacia da Am√©rica do Sul. √Č formada pelos Rios Paraguai, Paran√° e Uruguai que juntos drenam uma √°rea correspondente a 10,5% do territ√≥rio brasileiro, com 3,2 milh√Ķes de km¬≤ Das cabeceiras at√© a foz, atravessa quatro pa√≠ses: Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai. No Brasil, abrange os Estados Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, S√£o Paulo, Paran√°, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O Rio Paraguai √© um dos mais importantes rios de plan√≠cie do Brasil, superado apenas pelo Amazonas. De sua nascente, na chapada dos Parecis, nas proximidades da cidade de Diamantino-MT, at√© sua conflu√™ncia com o Rio Paran√°, na fronteira do Paraguai com a Argentina, ele percorre 2.621km, sendo 1.683km em territ√≥rio brasileiro. Os principais tribut√°rios do rio Paraguai s√£o os rios Jauru, Cuiab√°, S√£o Louren√ßo, Piquiri, Taquari, Negro, Miranda, Aquidauana, Sepotuba e Apa. A Bacia do alto Paraguai possui uma √°rea de 496.000km¬≤, sendo que 396.800km¬≤ pertencem ao Brasil e 99.000km¬≤ ao Paraguai e Bol√≠via. Da por√ß√£o brasileira, 207.249km¬≤ pertencem ao Estado de Mato Grosso do Sul e 189.551km¬≤ a Mato Grosso. Desta √°rea, 64% corresponde a planaltos e 36% ao Pantanal Matogrossense, uma extensa plan√≠cie sedimentar, levemente ondulada, situada na regi√£o Centro-Oeste do Brasil. Com uma √°rea de cerca de 17 milh√Ķes de Ha, o Pantanal abrange, al√©m do Estado de Mato Grosso do Sul e parte do Mato Grosso, √°reas menores na Bol√≠via e Paraguai. Ao norte, leste e sul, o Pantanal √© limitado pelas terras altas dos planaltos Central e Meridional e a oeste pelo rio Paraguai, que, junto com 132 tribut√°rios principais, drena todo o sistema. Os per√≠odos de seca (maio a setembro) e enchentes (outubro a mar√ßo) podem ser algumas vezes muito severos. A superf√≠cie da √°rea inundada pode variar de 10.000 a 70.000km¬≤. O clima √© predominantemente tropical, com umidade relativa entre 60 a 80%, temperatura m√©dia anual de 25¬įC, podendo durante curtos per√≠odos, apresentar temperaturas pr√≥ximas a 0¬įC. Janeiro √© o m√™s mais chuvoso.

As cheias do Pantanal ocorrem em conseq√ľ√™ncia das chuvas locais e est√£o relacionadas a problemas de drenagem, que dificultam o escoamento das √°guas. Junto √†s margens do Rio Paraguai, as cheias formam um len√ßol cont√≠nuo que chega a atingir 4m de profundidade; mais para leste, para o interior do Pantanal, as inunda√ß√Ķes se limitam √†s √°reas mais baixas do terreno chamadas ba√≠as, sendo que entre uma ba√≠a e outra h√° escoamento de √°gua atrav√©s de cursos denominados vazantes que podem ter muitos quil√īmetros de extens√£o. As vazantes de car√°ter permanente, que ligam ba√≠as cont√≠guas, s√£o conhecidas como corixos. Estas terras mais baixas est√£o separadas por eleva√ß√Ķes, denominadas cordilheiras que n√£o ultrapassam 6m de altura. Existem tamb√©m as salinas, depress√Ķes sem liga√ß√£o com os rios, que armazenam √°gua de chuva, salobra, e n√£o possuem peixes. A vegeta√ß√£o da regi√£o √© conhecida como Complexo Pantanal por conter diversas forma√ß√Ķes vegetais: matas, cerrados, campos limpos e vegeta√ß√£o aqu√°tica. O Pantanal √© famoso pela grande quantidade e diversidade de animais, principalmente animais aqu√°ticos (aves pernaltas e mergulhadoras, jacar√©s e peixes). As esp√©cies mais capturadas pelos pescadores amadores s√£o: pacu, pintado, cachara, piranha, piavu√ßu, barbado, dourado, ja√ļ, curimbat√°, piraputanga, jurupens√©m, jurupoca, e tucunar√© (peixe da bacia amaz√īnica introduzido em algumas √°reas do Pantanal).

Em virtude da abund√Ęncia e diversidade de peixes, a pesca sempre foi uma atividade econ√īmica tradicional no Pantanal. A partir de meados da d√©cada de 80, o setor tur√≠stico se estruturou para oferecer transporte, hospedagem e servi√ßos especializados para o pescador amador, que se tornou seu principal cliente. Cerca de 56.000 pescadores amadores, principalmente de S√£o Paulo, Paran√° e Minas Gerais, visitaram o Mato Grosso do Sul em 1998. Dados do mesmo per√≠odo indicam que a maior captura ocorreu nos meses de outubro a novembro (√©poca de cheia), nos rios Paraguai, Miranda, Taquari e Aquidauana (Catella et al., 1996).

O Rio Paran√°, principal formador da Bacia do Prata, √© o d√©cimo maior do mundo em descarga, e o quarto em √°rea de drenagem, drenando todo o centro-sul da Am√©rica do Sul, at√© a Serra do Mar, nas proximidades da costa atl√Ęntica. De sua nascente, no planalto central, at√© a foz, no estu√°rio do Prata, percorre 4.695km. Em territ√≥rio brasileiro, drena uma √°rea de 891.000km¬≤. Os principais tribut√°rios do Rio Paran√° s√£o o Grande e o Parana√≠ba (formadores), Tiet√™, Paranapanema e Igua√ßu.

Na Bacia do Paran√°, em seu trecho brasileiro, encontra-se a maior densidade demogr√°fica do Pa√≠s. As √°guas da Bacia s√£o utilizadas para consumo humano e, tamb√©m, para a ind√ļstria e irriga√ß√£o. Atualmente, grandes extens√Ķes dos principais afluentes do trecho superior do Rio Paran√° j√° s√£o consideradas impr√≥prias para uso humano e para a vida aqu√°tica, em virtude da polui√ß√£o org√Ęnica e inorg√Ęnica (efluentes industriais e agrot√≥xicos) e da elimina√ß√£o da mata ciliar. De certa forma, as barragens ao longo dos rios t√™m contribu√≠do para a auto-depura√ß√£o e reten√ß√£o de poluentes, sendo constatado melhoria da qualidade da √°gua, a jusante das barragens.

Entre as principais bacias hidrogr√°ficas da Am√©rica do Sul, a Bacia do Paran√°, √© a que sofreu maior n√ļmero de represamentos para gera√ß√£o de energia. Existem mais de 130 barragens na bacia, considerando apenas aquelas com alturas superiores a 10m, que transformaram o Rio Paran√° e seus principais tribut√°rios (Grande, Parana√≠ba, Tiet√™, Paranapanema e Igua√ßu) em uma sucess√£o de lagos. Dos 809km originais do rio somente 230km ainda s√£o de √°gua corrente. Com a constru√ß√£o de Ilha Grande, a √ļltima por√ß√£o l√≥tica do rio ir√° desaparecer, e os √ļltimos 30km, ainda em territ√≥rio brasileiro, abaixo do reservat√≥rio de Itaipu, tamb√©m ir√° desaparecer com a constru√ß√£o do reservat√≥rio de Corpus (Argentina/Paraguai).

O √ļltimo trecho n√£o represado do Rio Paran√° apresenta um amplo canal, ora com uma extensa plan√≠cie fluvial com pequenas ilhas (mais de 300), ora com grandes ilhas e uma plan√≠cie alag√°vel mais restrita. A plan√≠cie chega a 20km de largura, apresentando numerosos canais secund√°rios e lagoas. As flutua√ß√Ķes dos n√≠veis da √°gua, embora mais prolongadas pelos represamentos, ainda mant√™m a sazonalidade e uma amplitude m√©dia de cinco metros. Este remanescente de v√°rzea tem import√Ęncia fundamental na manuten√ß√£o das esp√©cies de peixes j√° eliminadas dos trechos superiores da bacia, especialmente esp√©cies de grande porte que realizam extensas migra√ß√Ķes reprodutivas. Cerca de 170 esp√©cies de peixes s√£o encontradas neste trecho do rio Paran√°.

O Rio Uruguai nasce na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina, na junção dos rios Canoas e Pelotas, e possui cerca de 1500km de extensão. O trecho de 625kmm entre Borba e Uruguaiana é navegável. A pesca amadora ainda não é muito praticada na bacia, apesar do grande potencial.

Rios que formam a bacia:

  1. Rio Uruguai
  2. Rio Paraguai
  3. Rio Iguaçu
  4. Rio Paran√°
  5. Rio Tietê
  6. Rio Paranapanema
  7. Rio Grande
  8. Rio Parnaíba
  9. Rio Taquari
  10. Rio Sepotuba

b-atlantico

BACIAS DO ATL√āNTICO

Ao longo do litoral brasileiro, existem pequenas e m√©dias bacias hidrogr√°ficas denominadas bacias do Atl√Ęntico Sul divididas em tr√™s trechos: Norte-Nordeste, Leste e Sudeste-Sul.

O trecho Norte-Nordeste √© formado por rios localizados ao norte do rio Amazonas e por aqueles situados entre a foz do rio Tocantins e a foz do rio S√£o Francisco. Compreende 10 sub-bacias, iniciando pela sub-bacia do rio Oiapoque, no extremo Norte, e passando pelo rio Araguari ambos no Estado do Amap√°. Compreende tamb√©m as √°reas de drenagem dos rios Guam√°, Pindar√©, Parna√≠ba, Jaguaribe, A√ßu e Para√≠ba. No rio Cal√ßoene, Amap√°, o tarp√£o (pirapema ou camurupim) ocorre em grandes quantidades dentro dos lagos, gerando condi√ß√Ķes especiais para a pesca esportiva dessa esp√©cie.

O trecho Leste corresponde aos rios costeiros localizados entre a foz do rio São Francisco e a divisa do Rio de Janeiro com São Paulo. Também compreende 10 sub-bacias, abrangendo as áreas de drenagem dos seguintes rios: rio das Contas, Jequitinhonha, Paraíba do Sul e rio Doce.

A partir da divisa do Rio de Janeiro com São Paulo começa o trecho Sudeste-Sul, com 10 sub-bacias: rios Ribeira do Iguape, Itajaí, Mampituba, Jacui, Taquari, Jaguarão e a bacia do arroio Chuí, incluindo a lagoa dos Patos e a lagoa Mirim, no Rio Grande do Sul.

Nos trechos Leste e Sudeste-Sul, a truta arco-√≠ris foi introduzida nos rios que despencam das regi√Ķes serranas (Serra do Mar, Serra da Mantiqueira, Serra da Bocaina, Campos de Cima da Serra no Rio Grande do Sul), apresentando uma √≥tima adapta√ß√£o. Esses rios correm em terrenos acidentados e pedregosos, possuem √°guas frias, bastante oxigenadas e livres de polui√ß√£o e s√£o excelentes √°reas para a pesca com mosca (fly fishing). Vale ressaltar, que a regi√£o dos Campos de Cima da Serra e a regi√£o correspondente em Santa Catarina, dada √†s condi√ß√Ķes geogr√°ficas, podem ser consideradas a “Patag√īnia” brasileira. Nessa regi√£o os rios n√£o s√£o encaixados, o que permite a pesca de mosca em todas as suas t√©cnicas.

Rios que formam a bacia:

  1. Rio Oiapoque
  2. Rio Gurupi
  3. Rio Parnaíba
  4. Rio Jequitinhonha
  5. Rio Doce

b-sao-francisco BACIA DO SÃO FRANCISCO

A Bacia do Rio S√£o Francisco √© a terceira bacia hidrogr√°fica do Brasil e a √ļnica totalmente brasileira. Drena uma √°rea de 640.000km¬≤ e ocupa 8% do territ√≥rio nacional. Cerca de 83% da bacia encontra-se nos Estados de Minas Gerais e Bahia, 16% em Pernambuco, Sergipe e Alagoas e 1% em Goi√°s e Distrito Federal. Entre as cabeceiras, na Serra da Canastra, em Minas Gerais, e a foz, no oceano Atl√Ęntico, localizada entre os Estados de Sergipe e Alagoas, o rio S√£o Francisco percorre cerca de 2.700km. Sua calha est√° situada na depress√£o s√£o-franciscana, entre os terrenos cristalinos a leste (serra do Espinha√ßo, Chapada Diamantina e Planalto Nordeste) e os planaltos sedimentares do Espig√£o Mestre a oeste, conferindo diferen√ßas quanto aos tipos de √°guas dos afluentes. Os rios da margem direita, que nascem nos terrenos cristalinos, possuem √°guas mais claras, enquanto os da margem esquerda, terrenos sedimentares, s√£o mais barrentos.

O Rio S√£o Francisco tem 36 tribut√°rios de porte significativo, dos quais apenas 19 s√£o perenes. Os principais contribuintes s√£o os da margem esquerda, rios Paracatu, Urucuia, Carinhanha, Corrente e Grande, que fornecem cerca de 70% das √°guas em um percurso de apenas 700km. Na margem direita, os principais tribut√°rios s√£o os rios Paraopeba, das Velhas, Jequita√≠ e Verde Grande. A Bacia do S√£o Francisco √© dividida em quatro regi√Ķes: Alto S√£o Francisco, das nascentes at√© Pirapora-MG; M√©dio S√£o Francisco, entre Pirapora e Remanso-BA; Subm√©dio S√£o Francisco, de Remanso at√© a Cachoeira de Paulo Afonso; e, Baixo S√£o Francisco, de Paulo Afonso at√© a foz no oceano Atl√Ęntico.

Desde as nascentes e ao longo de seus rios, a Bacia do S√£o Francisco vem sofrendo degrada√ß√Ķes com s√©rios impactos sobre as √°guas e, consequentemente, sobre os peixes. A maioria dos povoados n√£o possui nenhum tratamento de esgotos dom√©sticos e industriais, lan√ßando-os diretamente nos rios. Os despejos de garimpos, mineradoras e ind√ļstrias aumentam a carga de metais pesados, incluindo o merc√ļrio, em n√≠veis acima do permitido. Na cabeceira principal do Rio S√£o Francisco, o maior problema √© o desmatamento para produ√ß√£o de carv√£o vegetal utilizado pela ind√ļstria sider√ļgica de Belo Horizonte, o que tem reduzido as matas ciliares a 4% da √°rea original. O uso intensivo de fertilizantes e defensivos agr√≠colas tamb√©m tem contribu√≠do para a polui√ß√£o das √°guas. Al√©m disso, os garimpos, a irriga√ß√£o e as barragens hidrel√©tricas s√£o respons√°veis pelo desvio do leito dos rios, redu√ß√£o da vaz√£o, altera√ß√£o da intensidade e √©poca das enchentes, transforma√ß√£o de rios em lagos etc. com impactos diretos sobre os recursos pesqueiros.

As barragens hidrel√©tricas e para irriga√ß√£o transformaram o rio S√£o Francisco e alguns de seus tribut√°rios. Atualmente, o rio S√£o Francisco possui apenas dois trechos de √°guas correntes: 1.100km entre as barragens de Tr√™s Marias e Sobradinho, com v√°rios tribut√°rios de grande porte e in√ļmeras lagoas marginais; e 280km da barragem de Sobradinho at√© a entrada do reservat√≥rio de Itaparica. Da√≠ para baixo, transforma-se em uma cascata de reservat√≥rios da Companhia Hidrel√©trica do S√£o Francisco-CHESF (Itaparica, Complexo Moxot√≥ com Paulo Afonso I, II, III, IV e Xing√≥). Estes dois trechos e os grandes tribut√°rios, onde existem as lagoas marginais, ainda permitem a exist√™ncia de esp√©cies de peixes migradores, importantes para as pescarias comerciais e esportivas.

J√° foram identificadas 152 esp√©cies de peixes nativos da bacia. Entre as esp√©cies nativas mais importantes nos rios e lagoas naturais da bacia destacam-se as migradoras, curimat√£-pacu Prochilodus marggravii, dourado Salminus brasiliensis, surubim Pseudoplatystoma corruscans, matrinx√£ Brycon lundii, mandi-amarelo Pimelodus maculatus, mandi-a√ßu Duopalatinus emarginatus, pir√° Conostome conirostris e piau-verdadeiro Leporinus elongatus, e as sedent√°rias, pacam√£o Lophiosilurus alexandri, piau-branco Schizodon knerii, tra√≠ra Hoplias malabaricus, corvinas Pachyurus francisci e P. squamipinnis, piranha-vermelha Pygocentrus nattereri e piranha-preta Serrasalmus piraya. Muitos g√™neros de peixes encontrados na bacia do S√£o Francisco s√£o comuns √†s bacias amaz√īnica e do Prata. O dourado √© um pouco maior que a esp√©cie da bacia do Prata, alcan√ßando 30kg e 1,50m de comprimento. Os pintados s√£o famosos pelo tamanho que atingem, mais de 100kg, embora peixes desse porte n√£o sejam muito comuns.

Vale ressaltar que muitas esp√©cies de outras bacias hidrogr√°ficas, ou mesmo esp√©cies ex√≥ticas, j√° foram introduzidas na bacia, quando do povoamento de seus reservat√≥rios e a√ßudes. Entre elas, encontram-se os tucunar√©s Cichla spp., introduzidos nos reservat√≥rios de Tr√™s Marias e Itaparica, em 1982 e 1989, respectivamente, mostrando aumento acentuado de ano para ano; a pescada Plagioscion sp., introduzida em Sobradinho pelo DNOCS no final da d√©cada de 70 e, posteriormente, tamb√©m em Itaparica, com abund√Ęncia crescente com o passar dos anos, al√©m de diversas outras esp√©cies introduzidas no sistema a partir de experimentos de cultivo como carpas, til√°pias, tambaqui Colossoma macropomum, pacu-caranha Piaractus mesopotamicus, apaiari Astronotus ocellatus e o bagre-africano Clarias lazera.

Apesar dos s√©rios problemas ambientais que se observam na bacia do S√£o Francisco, algumas √°reas ainda oferecem condi√ß√Ķes para uma boa pescaria. Dourados, surubins, matrinx√£s, piaparas, curvinas, tra√≠ras, mandis, pir√° (um bagre end√™mico da bacia), tucunar√©s (introduzidos em alguns reservat√≥rios e no baixo S√£o Francisco), e outras esp√©cies introduzidas e bem sucedidas podem ser capturadas em suas √°guas, freq√ľentadas principalmente por pescadores de Minas Gerais, S√£o Paulo, Goi√°s e Distrito Federal.

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