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Pescadores protestam contra danos ambientais no Reservatório de Itaipu

Pescadores se reuniram em frente ao portão da Usina de Itaipu no início da manhã desta terça-feira (11) (Foto: Caio Vasques / RPC TV)Pescadores fizeram um protesto na manhã desta terça-feira (10) em frente ao portão da Hidrelétrica de Itaipu, em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná. O grupo de cerca de 200 profissionais aponta uma série de danos ambientais causados pela construção da usina e exige melhorias, além de indenização por supostas perdas. Entre os manifestantes estão pescadores de Foz do Iguaçu e de Guaíra, municípios ribeirinhos ao Lago de Itaipu. A manifestação promete se repetir na quarta (11) e na quinta-feira (12).

Segundo o presidente da Colônia de Pescadores Z-12, Flávio Kabroski, espécies de peixes nobres como surubi, jaú e dourado, antes bastante comuns na região são raramente encontrados. “Hoje o que se vê são espécies de terceira, como armado, corimba e pacu, produzido em tanques-redes”, aponta. Com o objetivo de diversificar as espécies, os pescadores sugerem que seja permitida a criação de tilápias. A proposta depende de autorização do Paraguai, com quem o Brasil divide o reservatório.

Na sexta-feira (6), representantes de Itaipu apresentaram novidades ligadas à produção pesqueira no lago: um projeto de instalação de uma unidade demonstrativa para o cultivo de peixe em tanques-rede, a regularização da licença de operação de três parques aquícolas – onde atuam 73 pescadores e produção média de seis toneladas de pacu por ano -, e a continuidade da coleta de dados para a estatística pesqueira, proposta que ainda não foi assinada por todas as prefeituras da região.

Dados da própria hidrelétrica apontam que a região conta hoje com oito colônias, duas associações uma cooperativa de pescadores que reúnem perto de 850 profissionais. A pesca extrativa gera cerca de 1,1 tonelada de peixe por ano. Já a produção em tanques-rede chega a 70 toneladas, podendo atingir a marca de 170 toneladas por ano quando os programas de melhorias estiverem todos implantados e operando com a capacidade máxima.

Em nota, a Itaipu garantiu que desde a formação do reservatório monitora a produção pesqueira na região e que as informações são repassadas pelos próprios pescadores. Os resultados, reforça, apontam para o aumento na captura de peixes. “Esse aumento se deve em grande parte à existência do Canal da Piracema, que permite que as espécies migradoras façam a reprodução a montante (acima da barragem), e à própria qualidade da água que melhorou devido ao aumento da consciência ambiental”, além do “diálogo constante com as colônias de pescadores”.

Perto das 13h30, o acesso de trabalhadores e turistas à usina foi bloqueada pelo grupo por cerca de meia hora. E, no fim da tarde, depois de um encontro com representantes da hidrelétrica, os pescadores decidiram suspender o protesto. Uma agenda de negociações ficou acertada entre a binacional e os manifestantes.

Leia a íntegra da nota divulgada pela Itaipu Binacional
Em relação à manifestação das colônias de pescadores de Guaíra e Foz do Iguaçu ocorrida nesta manhã de terça-feira, 10 de setembro, a Itaipu esclarece que, desde 1987, monitora com estatística a produção pesqueira no reservatório. Os próprios pescadores fornecem informações diárias. E que os resultados mostram uma evolução crescente na captura de peixes no reservatório.

Dos reservatórios da Bacia do Paraná, o de Itaipu é considerado o mais produtivo. Esse aumento se deve em grande parte à existência do Canal da Piracema, que permite que as espécies migradoras façam a reprodução a montante (acima da barragem), e à própria qualidade da água que melhorou devido ao aumento da consciência ambiental.

Hoje, a captura no reservatório de Itaipu, de Foz a Guaíra, fica em torno de 1.300 toneladas de peixe por ano. Não existem informações oficiais da atividade pesqueira no rio, antes da formação do reservatório.

Os dados atuais fazem parte da estatística pesqueira realizada pelo Nupélia (Núcleo de Pesquisa de Liminologia, Ictiologia e Apicultura), da Universidade Estadual de Maringá, em parceria com as colônias de pesca lindeiras ao reservatório e a Itaipu.

Itaipu mantém diálogo constante com as colônias de pescadores. Tanto isso é verdade que na última sexta-feira, dia 6 de setembro, Itaipu assinou, em Santa Helena, um convênio com representantes de colônias, associações e cooperativas, visando a continuação da atividade pesqueira no reservatório. Itaipu também tem sido pioneira na demarcação de parques aquícolas em reservatórios.

Mesmo entendendo que a manifestação não representa os interesses de toda a comunidade pesqueira da região, a empresa vai analisar a pauta de reivindicações e dar uma resposta ao movimento. Das oito colônias existentes, que atuam no reservatório, apenas duas aderiram à manifestação.

http://g1.globo.com


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