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Aparecimento de pirarucu no Rio Grande chama atenção de pescadores

Praticante de pesca sub aquática, Wendel Rodrigo da Silva, capturou na última semana um peixe gigante, da espécie Pirarucu (peixe nativo da Amazônia e o maior peixe de escama do Brasil) pesando aproximadamente 50 kg e medindo cerca de 1,77m de comprimento.

O que mais chamou a atenção é que o peixe foi capturado no Rio Grande, rio que fica na divisa entre os estados de Minas Gerais e São Paulo e, em uma região conhecida como represamento Água Vermelha.

Segundo informações, a espécie teria escapado de um criadouro no estado de Minas Gerais ainda entre 2010 e 2012, e se espalhado, porém a hipótese mais provável seria a de que esse criadouro seria em Paulo de Faria-SP.

Miguel Henrique da Silva Lima - Pirarucu no Rio Grande em 2014Em 2014, outras duas capturas semelhantes aconteceram também no Rio Grande, Miguel Henrique da Silva Lima, um outro praticante de pesca subaquática, abateu um pirarucu de 70 kg e medindo quase dois metros de comprimento.

Já o urbanista Marcos Costa, capturou um outro pirarucu também em 2014 pesando 20 kg. Em ambos os casos, a captura se deu com o uso de arbalete, para a pesca subaquática, é necessária a Autorização Ambiental de Pesca Desportiva e filiação a uma associação, porém, no caso de Marcos, ele possui autorização já que também é ambientalista por formação e pode utilizar o equipamento para estudos ambientais.

Marcos relatou na época que há uma proliferação dos pirarucus, que podem chegar até 80 quilos. “Isso pode contribuir com o desaparecimento de espécies nativas da região, pois o peixe é um dos maiores predadores de água doce”, diz. O urbanista afirmou que já capturou outros três pirarucus, mas que pesavam menos que esse.

Wendel Rodrigo da Silva com um pirarucu de 20 kg capturado no Rio GrandeEle abriu o peixe e constatou que o animal está se alimentando de camarão e mexilhões dourados – que é molusco bivalve oriundos da Ásia. Se realmente os pirarucus estiverem se alimentando de camarões e mexilhões, esse seria um bom indicativo de que não estaria afetando o ecossistema e dizimando espécies nativas.

Em 2012, no fórum Turma do Biguá, foi publicado uma postagem onde aparecem imagens de um cardume de filhotes de pirarucu se deslocando no Rio Grande.

Alguns pescadores conseguiram fotografar um cardume de filhotes no município de Paulo de Faria – SP, o que constataria a informação de que a espécie teria se adaptado ao represamento e estaria se reproduzindo na região.

Estudo
A professora do Departamento de Zoologia e Botânica da Unesp Lilian Cazatti disse já existir um projeto para iniciar pesquisa sobre a invasão do pirarucu no rio Grande. “Com visitas periódicas seria possível descobrir o quanto estão se reproduzindo e a pressão que estão realizando no rio, que já está bastante maltratado.” Segundo ela, o pirarucu habita áreas com águas represadas e se alimenta de outros peixes, mas ainda é cedo para saber o quanto ele é predador das espécies nativas. “Não existem dados ainda, pois é um acontecimento recente.” Só com o estudo dará para descobrir uma forma de amenizar os possíveis danos causados pelo peixe amazônico. “Qualquer estratégia deve ser feita com muito cuidado para não causar ainda mais danos,” explica a professora.

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