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Estudo aponta que 40% das espécies vendidas como cação são peixes em risco de extinção

O cação, na teoria, é sinônimo de tubarão. Para ser mais preciso, de elasmobrânquio — isto é, um peixe com esqueleto de cartilagem, subclasse biológica que também inclui as raias. Há algo entre 900 e 1150 espécies de elasmobrânquios no mundo. Alguns são típicos de certos litorais, outros podem ser encontrados em todos os oceanos. Muitos estão em risco de extinção, e muito poucos gozam de razoável segurança (mesmo o ‎C. carcharias, que protagoniza o Tubarão do Spielberg, está ameaçado).

Em países do sudeste asiático, como China e Vietnã, a sopa feita com nadadeiras de tubarão é sinônimo de status: é comum que pescadores cortem apenas a extremidades e devolvam o tronco do animal — imóvel, mas ainda vivo — às águas. No Brasil e em outros países, essa prática é proibida. Cação é a alcunha genérica para a carne que vêm do corpo desse tipo de peixe, sem identificação da espécie.

Pesquisa aponta que 40% das espécies não são cação
Uma equipe liderada pelos professores Nelson Fagundes, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e Victor Hugo Valiati, da Universidade do Vale do Rio do Sinos (Unisinos), coletou 63 amostras de cação no comércio e em barcos pesqueiros da região Sul do país.

Analisando fragmentos de DNA, descobriu que elas correspondiam a 20 espécies diferentes de peixes que não o cação. Alguns não eram nem elasmobrânquios: “também encontramos peixe-espadarte e bagre, por exemplo”, afirmou a cientista Fernanda Almerón, aluna da pós-graduação em Biologia Animal da UFRGS, à SUPER. “É realmente uma bagunça. Essa nomenclatura permite que se venda qualquer tipo de peixe como ‘cação’”.

40% desses peixes estão na lista de espécie em risco de extinção como a raia Rhinobatos horkelii e o tubarão-vitamínico, que só existem no litoral da América do Sul. No mundo todo, mais de 100 milhões de tubarões são mortos por ano. Eles têm baixas taxas de fecundidade e demoram para amadurecer, é muito raro encontrar uma população de que consiga repor seus membros na mesma proporção em que eles são capturados.

A solução óbvia seria estabelecer leis que proibissem completamente a exploração dos elasmobrânquios que estão em perigo e que limitassem a pesca das espécies permitidas a um número anual de indivíduos inferior ao ritmo em que elas conseguem se reproduzir.

Na prática, há dois problemas: o primeiro é que o governo brasileiro não faz a menor ideia de quais espécies são vendidas sob a alcunha genérica de cação. O estudo da UFRGS é praticamente inédito. A outra é que, mesmo que essa informação estivesse disponível, os biólogos não saberiam precisar a taxa de reposição de cada espécie de um dia para o outro.

Malefícios a saúde
É sempre bom lembrar que comer tubarões de qualquer espécies pode ser tão ruim para nós. Os elasmobrânquios estão no topo da cadeia alimentar marinha, o que significa que eles tendem a acumular, em seu organismo, metais pesados.

A agência de vigilância sanitária americana, a FDA, não recomenda o consumo de carne de tubarão por mulheres grávidas e crianças. A ideia é justamente evitar que a grande concentração de mercúrio afete o desenvolvimento do sistema nervoso.

Revista Super Interessante


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