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Audiência discute projeto de pesca esportiva no interior de Mato Grosso

Durante uma audiência pública realizada em Santo Antônio do Leste (MT), moradores locais discutiram sobre a possibilidade de criar uma lei de fomento a pesca esportiva e melhorias de infraestrutura, especialmente nas estradas de acesso ao município, asfaltamento das ruas centrais e com isso, a chegada de turistas que possam aderir a pesca ecologicamente correta.

Sobre a expectativa de que haja a edição de uma lei específica sobre o tema, o deputado Allan Kardec (PDT) disse que os municípios que margeiam o Rio das Mortes, tem um grande potencial turístico e a possibilidade de avançar na pesca esportiva preservando as espécies. “Avançar numa lei que garanta a atividade sustentável, com manutenção do pescador, do comércio local e desenvolvimento com respeito ao rio das Mortes”, explicou.

Para o prefeito de Novo Santo Antônio (MT), Adão Soares Nogueira (PRB), há uma expectativa de que a audiência pública chame a atenção das demais autoridades no estado, e que isso resulte em ações que se revertam em atendimento aos municípios.

Queremos incentivo ao turismo com foco na pesca esportiva, mas sem prejudicar a família dos ribeirinhos. Precisamos de uma Associação de Pescadores para dar mais segurança a essas pessoas e vamos trabalhar para isso.

Também temos que estimular o turista, com a estruturação de ruas e estradas e que utilizem nossa rede de serviços como pousada, o pescador como guia, a cozinheira, o dono do posto de gasolina, do mercadinho, enfim, que deixe um aporte ao município reiterou o prefeito.

Segundo o pescador profissional Afonso Rodrigues de Barros, a pesca esportiva pode ser mais benéfica do que a pesca artesanal. “Hoje só podemos pescar 5 quilos de peixe por semana. O quilo do pescado está custando R$ 15, já o pacote de arroz custa R$ 18, então não dá para sustentar toda a família”, destacou o pescador.

Sobre pesca esportiva e manutenção de guias locais para pesca, ele disse ser favorável: “pode ser, é importante, porque com os cinco quilos de peixe não dão mais para sobreviver”, finalizou.

Para que o tema fosse esclarecido, o professor Universidade Federal de Mato Grosso, Dilermando Pereira fez uma apresentação do estudo realizado e citou as principais ameaças ao rio das Mortes, que banha a região:

Construções de PCHs e outras hidrelétricas; introdução de espécies não nativas, principalmente vindas de outros países e que causam desequilíbrio ao meio ambiente, e pesca predatória especialmente com uso de explosivos. Entre as espécies, segundo ele, a mais ameaçada é o pirarucu.

O secretário de meio ambiente de São Miguel do Araguaia (GO), Paulo Lisboa Santana, falou sobre o modelo de pesca zero implantado naquele estado. Lá os pescadores profissionais foram incluídos, receberam treinamento, e hoje atuam como guias de pesca.

“No começo tivemos medo de afastar o turista, mas foi ao contrário. Cada pescador predador que perdemos, ganhamos três turistas consciente que pescam, respeitam a natureza, deixam um aporte financeiro nos municípios”, afiançou.

Para ele, “essa é uma iniciativa (a audiência pública) louvável e Mato Grosso só tem a ganhar se vier a implantar uma lei semelhante a que Goiás implantou”.

O vereador de Novo Santo Antônio, José Márcio G. Moreira (PP), foi enfático: “É isso que queremos aqui, pescador esportivo, que venha, pesque, solte, curta o local e aproveite as riquezas naturais do nosso município”.


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