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Ibama multa integrantes do Propesca por captura de tubar√Ķes no Recife

Ano passado, Propesca fez 'tubar√£ozada' e assou carne de tubar√£o, comprada em supermercado, na orla de Boa Viagem, Zona Sul do Recife

(Foto: Gabriela Alc√Ęntara / G1)

Dois integrantes do Instituto Propesca, que atua no litoral pernambucano, foram multados por infra√ß√£o ambiental pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov√°veis (Ibama). A decis√£o saiu na √ļltima sexta (4), mas s√≥ foi divulgada nesta quarta-feira (9).

O √≥rg√£o alega que a entidade “prega a pesca indiscriminada de tubar√Ķes sob o argumento de deixar as praias do Recife mais seguras para banhistas e surfistas.” Os dois autuados, um surfista aposentado e um engenheiro de pesca, que n√£o tiveram os nomes divulgados pelo Ibama, v√£o responder em liberdade a um processo criminal.

Apesar do Propesca atuar em Pernambuco, a multa foi emitida pela representa√ß√£o do Ibama no Par√°, onde h√° um grupo de ambientalistas focado em casos relacionados a tubar√Ķes. O analista ambiental do Ibama Leandro Aranha foi o respons√°vel pelas an√°lises que constataram crimes praticados por integrantes do Propesca. “Os m√©todos [de captura] deles s√£o v√°rios. O que eu pude provar, √† dist√Ęncia, foi o que pude aferir em fotos nas redes sociais: um deles posou para uma fotografia com uma esp√©cie amea√ßada de extin√ß√£o rec√©m-abatida”, disse.

O outro autuado, segundo Leandro Aranha, lideraria a pesca predat√≥ria da esp√©cie utilizando iscas vivas de til√°pia, um peixe africano de √°gua doce que pode se adaptar normalmente a ambientes salinos. “H√° lugares no mundo onde eles [peixes] s√£o criados j√° no sal. Todo rio que a til√°pia consegue invadir, ele toma conta e acaba com v√°rias esp√©cies locais. Como essa pesca de tubar√£o foi feita no estu√°rio dos rios Capibaribe e do Beberibe, havia um alto risco de invas√£o. √Č proibido por lei”, apontou o especialista. Os dois integrantes do Propesca foram multados em R$ 8 mil.

Ainda na semana passada, o Minist√©rio P√ļblico Federal (MPF) em Pernambuco emitiu uma recomenda√ß√£o ao Instituto Propesca para que n√£o “promovesse, incentivasse ou realizasse a captura indiscriminada de tubar√Ķes no estado”. No documento, os procuradores da Rep√ļblica Edson Virg√≠nio Cavalcante J√ļnior e Mona Lisa Duarte Ismail alertam que tais atividades n√£o s√£o compat√≠veis com a Constitui√ß√£o Federal, n√£o est√£o autorizadas e n√£o s√£o reconhecidas como pesquisa cient√≠fica.

O MPF pede, ainda, que o grupo evite enaltecer as capturas nas redes sociais pois o Propesca pode ser responsabilizado penalmente por apologia ao crime.

O presidente do Instituto Propesca, Bruno Pantoja, informou ao G1 que ainda ningu√©m do grupo foi notificado sobre a decis√£o do Ibama. “Ainda n√£o chegou nada para n√≥s. O nosso departamento jur√≠dico vai tomar medidas cab√≠veis sobre essas acusa√ß√Ķes que n√£o correspondem com a realidade. A verdade √© que a nossa proposta √© a coloca√ß√£o de telas em trechos de risco de mar aberto e a recupera√ß√£o ambiental, com reflorestamento e reconstru√ß√£o de habitats naturais”, explicou.

“Isso [que pregamos a pesca de tubar√Ķes] √© outro mito lan√ßado nas nossas costas. N√≥s pregamos a√ß√Ķes para resolver a problem√°tica [ataques de tubar√Ķes a banhistas] e para dar seguran√ßa √† popula√ß√£o e equil√≠brio ambiental. N√£o pregamos exterm√≠nio de esp√©cie alguma”, complementou Pantoja.

Sobre as den√ļncias em rela√ß√£o ao uso de til√°pias como isca, Pantoja explicou que a Portaria n¬į 145 do Ibama introduziu, desde a d√©cada de 70, a esp√©cie na fauna brasilera, salvo a Bacia Amaz√īnia. “A til√°pia chega viva e recebe um choque t√©rmico em gelo para manter a rigidez cadav√©rica para possibilitar a melhor fixa√ß√£o da isca no anzol, possibilitando a atra√ß√£o do peixe a ser capturado. O tubar√£o nunca √© considerado esp√©cie-alvo nas pescas, mas fauna acompanhante”, afirmou.

Em rela√ß√£o √† recomenda√ß√£o do Minist√©rio P√ļblico, Pantoja disse que o grupo “vai acatar, at√© porque n√£o pratica as infra√ß√Ķes apresentadas na carta do MPF”.

http://g1.globo.com


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